
Sônia e Estevam Hernandes não ajudaram muito a causa cristã ao
serem pegos em Miami com 50 mil dólares e um rastro de processos sobre atividades fraudulentas nos bastidores dos cultos da Igreja Renascer. O casal Garotinho também, depois de uma desastrada temporada à frente do Governo do Rio, quando evocaram a convicção religiosa para habilitar um populismo evangélico. Bush também entra na lista, com decisões atarantadas que provocam o desequilíbrio mundial, sob o argumento de uma guerra do Bem contra o Mal. Mas o fato é que a mídia e pensadores não precisam de muitas diatribes de cristãos professos para se esforçarem na criação de um
zeitgeist, um espírito de época onde se define que a causa de todos os males do mundo concentra-se na religião.
Semanas atrás a Época deu uma de suas capas ao assunto, mostrando como cientistas tentam desestimular a religião na sociedade moderna. Agora é a vez da
Galileu, que anuncia uma “guerra contra Deus”. Não li e não gostei de nenhuma das duas matérias, com títulos e chamadas que não mostram nenhum esforço em parecerem sensacionalistas. Fui vacinado contra o argumento dos intelectuais anti-religião desde que li
“Por que não Sou Cristão”, de Bertrand Russell, um dos pioneiros dos ataques a qualquer espécie de movimento religioso.
Russell, filósofo contemporâneo, ateu declarado e militante contra as religiões, reúne nesta obra algumas palestras e ensaios que apontam sua posição contra a fé, em especial a fé cristã. O intelectual é festejado em círculos evolucionistas e acadêmicos como uma voz dissonante ao que consideram ser uma escalada religiosa definindo os rumos da geopolítica mundial conforme a vemos hoje. Talvez esses intelectuais expliquem porque o Iluminismo fracassou em sua tentativa de matar Deus – sim, esse pensamento não é nada novo.
Não li todo o livro de Russell. Perdi o interesse no momento em que ele, a certa altura de sua obra, afirma que desconsidera Jesus Cristo como o maior dos homens que já viveu na Terra porque Ele acreditava no castigo eterno e usava esse discurso em sua mensagem. Jesus fazendo apologia ao castigo eterno! Santo Deus!
Talvez Russell não tenha lido a Bíblia, ou se a leu não prestou muita atenção ao conteúdo profético. Talvez ele tenha lido, mas foi incapaz de interpretá-la, sendo portanto irônico que um intelectual tão gabaritado seja incapaz de interpretar um texto bíblico, quase um analfabeto funcional sobre o assunto. Mas o fato é que quando uma das mentes inspiradoras desse movimento que tenta calar a religião – desconsiderando tudo o que ela foi capaz de produzir em termos de civilização e ignorando o quanto ela vem sendo usada por gananciosos como um escudo para ampliar o poder – mostra uma opinião tão distorcida sobre a mensagem de Jesus de acordo com o que está escrito na Bíblia, seu pensamento passa a ser no mínimo discutível.