18.1.07

Alternativas à sociedade sim, vigias jamais

ENFOQUE – O americano é o mesmo de sua infância?

YANCEY – Certamente, as leis mudaram, e as leis racistas acabaram. Quando estou em Atlanta e vou a um jogo de beisebol ou a um restaurante, é possível ver pessoas de todas as raças sentadas juntas, rindo, se divertindo. Isso nunca aconteceria quando eu era criança. O país, como um todo, ficou mais liberal. Jesus não falou que deveríamos “limpar” a sociedade. Jesus não pareceu preocupado sobre as cinco colunas morais do Império Romano. Ele não falou nada sobre isso. Ele não pediu para criarmos uma sociedade limpa, justa, boa e pura. O nosso trabalho não é garantir que a Corte Suprema dos Estados Unidos esteja abarrotada de cristãos. Nosso trabalho é criar uma comunidade para qual as pessoas possam olhar e ver que há algo diferente em nós, que estamos cheios de alegria, que amamos uns aos outros. Nos Estados Unidos muitos cristãos se esquecem de que não devem ser vigias da sociedade, mas alternativas à sociedade. As pessoas ficam preocupadas sobre quem vai ser o presidente, mas Jesus nunca falou sobre quem deveria ser o imperador romano. A única coisa que Ele falou sobre políticos foi quando os chamou de raposas. Ele ignorava esse assunto. Na minha infância, os cristãos verdadeiros estavam em minoria, e eles queriam ser diferentes de todos da sociedade. Agora, são tantos os cristãos, que querem que todos sejam como eles. Então, decidiram que devem aprovar leis e colocar as pessoas “certas” no poder. Acho que estamos em perigo, porque estamos esquecendo o que Jesus falou que deveríamos fazer, perdendo essa missão por completo.

Philip Yancey, jornalista e editor da Christianity Today, está imperdível nesta entrevista para a revista Enfoque Gospel. Articulado, divertido e profundo, o autor de "O Jesus que eu nunca conheci" representa uma novidade na cultura cristã moderna.

A foto é da revista Enfoque Gospel.