12.10.06

Desejos de um novo Brasil

De hoje até domingo estarei no interior da Bahia, acompanhando um belíssimo projeto de inclusão social, o programa de policultura do semi-árido desenvolvido pela ADRA Bahia. Em uma terra onde a seca é inclemente, várias famílias atendidas pelo programa estão tranqüilas, trabalhando e desse modo garantindo o seu sustento.

Em todo o Nordeste, a ação social adventista desenvolve projetos na área de desenvolvimento sustentável, geração de renda, agricultura familiar, educação básica e segurança alimentar.

Todos esses projetos vão fazer parte de um vídeo institucional que terá como objetivo levar autoridades públicas e privadas a conhecerem essas ações de responsabilidade social, abrindo portas para futuras parcerias.

O desafio de vencer um mito

O candidato a presidente e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está aparentemente pagando caro por ter sido tão contundente no debate com o presidente Lula, no último domingo, segundo o último resultado de uma pesquisa pelo Datafolha. A diferença do presidente Lula para Alckmin, em intenções de voto, é de 11%.

Para quem chega no Nordeste e pára pra conversar com qualquer pessoa, especialmente nos municípios mais pobres, Lula é venerado de um modo quase messiânico, o que faz com que as denúncias de corrupção passem por ele sem contaminá-lo, perante esta opinião pública.

A razão para tanto é o programa Bolsa-Família, tema de uma interessante série de reportagem publicada esta semana pelo Diario de Pernambuco onde mostra que o programa, na mesma proporção em que injeta recursos em economias de municípios pequenos, que vivem basicamente do comércio varejista, leva famílias pobres a abandonarem a busca por emprego, acomodando milhões de famílias nesta pequena renda e provocando uma terrível dependência.

Histórias que vale a pena conhecer

Creio que, em toda a minha vida, a frase que mais ouvi foi: um hipermercado não se sustenta por muito tempo em uma cidade com 50 mil habitantes.

A declaração acima é de Sam Walton, o criador da Wal-Mart, empresa que no ano passado faturou 292 bilhões de dólares. Ele está velhinho, mas tem muito a ensinar aos jovens de hoje. Entenda a razão a seguir.

A história da Wal-Mart é incomparável. Depois de um começo difícil, Sam Walton conseguiu erguer um empório familiar na cidadezinha de Bentoville, no interior do estado do Arkansas, e 55 anos depois essa pequena empresa se transformou na maior empresa varejista dos Estados Unidos e na maior corporação do mundo.

O conceito de negócio de Sam Walton é simples. Para ele, o consumidor iria a suas lojas se estas conseguissem oferecer, sempre, os melhores preços do mercado. Para isto, os custos tinham de ser os menores. É por esta razão que a cultura corporativa do Wal-Mart é extraordinariamente espartana. Os escritórios não são mais do que cubículos, a decoração chega a ser simplória, os executivos dividem quartos de hotéis com diárias de 50 dólares, e estão proibidos qualquer gasto que se julgue desnecessário.

A história de Sam Walton serve de inspiração para os jovens de hoje. Pode-se até discordar do capitalismo um tanto agressivo adotado pelo empresário americano, mas é preciso reconhecer a obstinação, a persevarança e a vontade incrível de trabalhar e de vencer que demonstrou. O desafio de quem cuida da juventude é despertar neles esses sentimentos, necessários para o exercício do empreendedorismo, de apostar em um sonho e acreditar nele, trabalhar muito por ele. E em um momento em que as autoridades políticas tecem suas ações sob o manto da suspeita, em função dos desmandos éticos e morais que tomaram conta do País, as autoridades religiosas talvez tenham um papel fundamental para esse despertamento dos jovens.

Para quem quiser se inspirar, leia esta reportagem do Fantástico sobre jovens empresários que alcançaram sucesso em seus empreendimentos.

Política também tem bons exemplos

O Diario de Pernambuco repercutiu ontem uma reportagem com o prefeito do Recife, João Paulo, em que ele responde via jornal a uma provocação do candidato a governador derrotado em Pernambuco, ex-ministro Humberto Costa, que deu a entender ser do prefeito parte da culpa por sua derrota em 01 de outubro. Ambos são do PT, o que mostra o processo de autofagia que vive o partido, antes auto-declarado guardião da ética política no Brasil.

O fato expõe algo latente na atual política brasileira, que é a disputa incansável pelo poder. Nessa busca, muitas vezes cegas, os políticos esquecem de estudar o Brasil e apresentar, com base nessa pesquisa, propostas para minimizar os problemas brasileiros e apresentar soluções para mudanças positivas na qualidade de vida do povo.

Talvez fizesse bem a nossos políticos, depois de lamber as feridas da derrota ou comemorar a vitória, refletir um pouco no belíssimo exemplo do ex-candidato a presidente dos Estados Unidos, Al Gore, derrotado pelo atual presidente dos Estados Unidos mesmo tendo mais votos do que este, em uma eleição marcada pelo descrédito.

Gore chegou a ficar desiludido da política, mas deu a volta por cima e passou a estudar os problemas ambientais da política, uma bandeira que vinha levantando desde 1976. De seu trabalho ardoroso, surgiu documentário An Incovenient Truth (Uma Verdade Incoveniente), que vem trazendo uma reflexão pertinente por onde passa. Alçado ao posto de celebridade de Hollywood, Gore usa o cinema como uma plataforma de análise da degradação provocada pelo aquecimento global, o papel do homem neste problema e de que modo pode-se buscar soluções.

Leia mais sobre este filme, e assista ao trailer, clicando aqui.