29.8.06

esse vai ser devorado

Estava esperando esse dia, e ele chegou...

The Long Tail (A cauda longa) é leitura indispensável para entender como um novo mundo está sendo formatado pela rede mundial de computadores.

Muita coisa vai mudar. Muita coisa já está mudando. Empregos, negócios, relacionamentos, produção cultural, campanhas políticas, informação, consumo... e religião também. Como? Simples: todo mundo vai ter acesso a um canal extraordinário de evangelização. E aí entra orkut, youtube, blogs, fotologs, messenger e outras traquitanas virtuais.

O que acontecerá quando tudo no mundo se tornar disponível para todos?Quando o valor conjunto de todos os milhões de itens que talvez vendam apenas uns poucos exemplares for igual ou maior do que o dos poucos itens que vendem milhões cada um?Quando um grupo de crianças sem intenção de lucro for capaz de gravar uma canção ou produzir um vídeo, distribuindo-os pelos mesmos meios eletrônicos explorados pelas mais poderosas empresas de grande porte?

Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, explorou pela primeira vez o fenômeno da Cauda Longa em um artigo que se tornou um dos mais influentes ensaios sobre negócios de nosso tempo. Usando o mundo dos filmes, dos livros e das músicas, mostrou que a Internet deu origem a um novo universo, em que a receita total de uma multidão de produtos de nicho, com baixos volumes de vendas, é igual à receita total dos poucos grandes sucessos. Então, cunhou o termo "Cauda Longa" para descrever essa situação, o qual, desde então, tem sido citado com destaque pela alta gerência das empresas e pelos meios de comunicação em todo o mundo.

"Embora ainda estejamos obcecados pelos sucessos do momento", escreve Anderson, "esses hits já não são mais a força econômica de outrora. Mas, para onde estão debandando aqueles consumidores volúveis, que corriam atrás do efêmero? Em vez de avançarem como manada numa única direção, eles agora se dispersam ao sabor dos ventos, à medida que o mercado se fragmenta em inúmeros nichos".

Agora, neste livro tão esperado, Anderson mostra como chegamos a esse ponto e revela as enormes oportunidades daí decorrentes: para novos produtores, para novos agregadores e para novos formadores de preferências. Ele também analisa a economia da reputação; o fim dos estoques; o efeito Wal-Mart; o poder da produção colaborativa e a ascensão de uma grande cultura paralela.

Vai para estante por estes dias, e vai ser devorado com certeza.

é preciso cultivar o jardim

A campanha do medo instalada pelos meios de comunicação pós-11 de setembro, a invasão do Iraque e o recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio, a Al Qaeda e a sombra incomôda de Bin Laden, são muitos os motivos que podem ter levado ao declínio da influência da religião nos Estados Unidos, como mostra esta reportagem abordando resultados de uma pesquisa sobre o assunto.

É triste perceber que a religião segue tão mal interpretada, inclusive por aqueles que a praticam. É terrível a junção entre a igreja e o Estado, é consideravelmente perigoso unir em um só discurso religião e política partidária. Os exemplos recentes não são bons, dos Estados Unidos de Bush e sua política baseada no medo, até o Brasil de Lula e o envolvimento crescente de evangélicos em escândalos como a "máfia das sanguessugas".

Talvez a função da religião, partindo de sua etimologia, seja simples demais. "Religar a Deus", expressar comunhão com o Criador, manifestar interesse em viver ao Seu lado e ter um perene e saudável relacionamento com Ele é algo que se constrói de maneira simples, através do estudo da Bíblia, da oração, da obediência a mandamentos que se resumem a amar a Deus sobre todas as coisas e ao restante das pessoas como a si mesmo. É razoável supor que algo de tamanha simplicidade ia sofrer "ajustes" do ser humano, em sua sanha de querer ser Deus, de "mudar tempos e leis" conforme a profecia bíblica.

Mudaram a religião também, hoje ela complexa, plural, partidária, segregacionista. Em seu manto há lugar para muitos discursos, movimentos oposicionistas, estratégias bélicas, vaidade do poder.

Li uma vez sobre um religioso que se sentia mais próximo de Deus ao cultivar um simples jardim. Talvez estejamos carecendo dessa simplicidade, de reduzir a atenção para tantas teorias, para esta multidão de conhecimentos.

Talvez seja preciso apenas cultivar o jardim.

A volta dos mortos-vivos

Do site Nominimo:

A Globo entrou em uma curiosa onda sobrenatural. Nas três novelas que exibe atualmente, há personagens que voltam da morte para assombrar os vivos.

Em “Páginas da vida”, Nanda (Fernanda Vasconcellos) reaparece para seu pai. Em “Cobras & lagartos”, Omar Pasquim (Francisco Cuoco) atormenta Foguinho. E, em “Sinhá moça”, o espírito de Pai José (Milton Gonçalves) surge como um símbolo da luta dos escravos. Além disso, “A viagem”, atração do “Vale a pena ver de novo” até um mês atrás, trinha como tema central a vida após a morte.

A próxima novela das seis, remake de “O profeta”, é protagonizada por um homem com poderes sobrenaturais - assim como “Dom”, programa pré-aprovado como especial de fim de ano da Globo. Na evangélica Record, houve também um espírito recente, o do bandido Lopo (Leonardo Vieira), em “Prova de amor”.

Cada fantasma tem uma justificativa: em “Páginas da vida”, aproveitar o sucesso de uma atriz; em “Prova de amor”, esticar a novela; em “Cobras & lagartos”, ele funciona como contraponto cômico.

Mas não é possível que seja apenas uma coincidência. Há de existir alguma explicação mercadológica para essa trip espírita. Os mortos devem dar mais audiência que os vivos hoje.

27.8.06

A evangelização do século 21

Muito boa a reportagem “O poder da geração digital”, capa da recente edição da revista Exame, que você encontra nas bancas. A pauta aborda o que as empresas estão fazendo para conquistar jovens consumidores que vivem, trabalham, se divertem e se relacionam online.

O texto mostra como essa nova leva de consumidores está prestes a revolucionar o mercado de consumo tal como o conhecemos. Os jovens que agora se lançam ao mercado representam a primeira onda de consumidores nascidos e criados sob o signo da internet. Para essa geração, é imperceptível a separação entre vida virtual e vida real. A conversa começa no colégio e termina em casa, pelo Messenger.

“Os detalhes da ida ao cinema são acertados em troca de mensagens de texto pelo celular”, diz texto da matéria. “As reclamações sobre a prova do dia anterior ficam registradas na comunidade do professor de física que os colegas criaram no Orkut. Para a geração digital, sem celular, comunidades online ou blogs não há vida”.

A revista mostra como é vital para as empresas entender a importância e a profundidade dessa transformação cultural, e o quanto é preciso aprender a lidar com ela. Considera que é uma relação difícil, onde o marketing usado em outras mídias se integrará a essa nova realidade. Cita dois exemplos emblemáticos, o de uma comunidade no Orkut, “eu amo chocolate”, que na última contagem tinha mais de 1,6 milhão de fãs do produto, e a história de uma jovem americana que abriu uma página no MySpace, reuniu mais de 900 mil amigos e passou a ser disputada por empresas de desodorante e de jeans para veiculação de propaganda em sua página.

É um mundo novo. É um mundo fascinante. E é um mundo que desafia não só empresas, mas toda organização interessada na comunicação em massa, oferecendo produtos e serviços. É razoável incluir na lista de interessados nesse admirável mundo novo organizações que cuidam da vida espiritual das pessoas, e chegamos à conclusão que os líderes religiosos precisam entender esse fenômeno cultural, e aprender a lidar com ele o quanto antes, se quiserem comunicar-se bem com essa sociedade do futuro.

Não é um desafio qualquer. Hoje em dia, a percepção é que o uso da tecnologia digital pelas organizações religiosas está em um estágio primitivo, onde, salvo exceções, se produz uma página na web, se usa e-mail, mas a interatividade é a mínima possível, e o estímulo para que ela cresça é quase inexistente. A geração digital em curso está acostumada com a interação, com o imediatismo da comunicação eletrônica. Essa geração “está pronta para falar sobre empresas e produtos – e a ouvir o que se diz deles. Os adolescentes já participam ativamente de um grande bate-papo na internet, sem que o marketing tradicional possa influir sobre o andamento da conversa. A caixa de ressonância não pára de aumentar. Pela última conta, havia 50 milhões de blogs no mundo. A cada dia, 175 mil sites pessoais são criados. São novas vozes, de gente nova entrando na conversa”, diz trecho da reportagem.

É algo aparentemente caótico, mas a gurizada está acostumada a lidar com isso. E quanto às organizações religiosas? Será que elas estão preparadas para atrair a atenção dessas pessoas para as mensagens morais, de relevância espiritual? Estão prontas para formar comunidades interessadas em dar ressonância a essas mensagens?

Conheço casos interessantes, mas isolados do uso de ferramentas digitais. O caso de um pastor, líder de jovens de um Estado do Nordeste, que consegue mobilizar a juventude em todo o Estado via Orkut. Segundo ele, a coisa funciona. Acredito que outros tantos estejam tendo o mesmo sucesso. Só não sei se eles estão doutrinando os colegas para a importância desta ação.

Até mesmo esse convencimento é complicado. Recentemente, tive uma experiência difícil ao mostrar a importância da comunicação eletrônica, do uso de blogs, ipods e newsletters para disseminar a marca de uma escola. Ao apresentar o plano, parecia que falava grego. Mas é natural, uma vez que mesmo as empresas, que têm interesse comercial nessa nova realidade, patinam inseguros quanto ao controle do retorno que a web proporciona.

O fato é que existe uma comunidade de jovens em rede, pronta para ser conquistada por uma mensagem que tenha algo a dizer pra eles. Estamos preparados para usar fotologs, blogs, Youtube, Wikipedia, Orkut e Messenger, ipods e celulares para uma evangelização 24 horas, em escala global?

Ellen White, escritora americana que teve uma percepção esperta do futuro, já preconizava a importância de usar novas ferramentas para a evangelização. O momento, me parece, é de transição entre uma liderança que usa a internet para acessar e-mails, consultar o banco ou fazer compras, e uma que cresceu com a internet, em rede com um universo inimaginável de amigos, e que usam a rede para tudo - lazer, estudos, relacionamentos, trabalhos. Comprender esta nova realidade é algo saudável e que pode suavizar esta transição que se aproxima.

24.8.06

dia triste para um ex-planeta

Se fosse futebol seria uma espécie de rebaixamento para a segunda divisão: membros de uma tal União Astronômica Internacional se reuniram em Praga e decidiram que Plutão não tem mais o status de Planeta do Sistema Solar. Agora, é apenas um astro, um corpo celeste.

Os 2.500 especialistas de 75 países reconheceram que se cometeu um erro quando se deu a Plutão a categoria de planeta em 1930.

O ex-planeta possui 2.300 quilômetros de diâmetro, bem menor do que a terra (12.750 quilômetros).

23.8.06

acabou

Como diria Luciano Bivar, só uma "hetacombe" fará o Lula perder esta eleição.

Bin Laden, o videomaker

Do site Nominimo:

No documentário “In the footsteps of Bin Laden” (Nas pegadas de Bin Laden), a repórter Christiane Amanpour faz uma revelação interessante: o terrorista entende de vídeo digital.

Ele determinou à Al-Qaeda a criação de um comitê de comunicação capaz de produzir reportagens jornalísticas e também making ofs. Segundo o documentário, uma das principais preocupações de Bin Laden como cineasta é o posicionamento de armas nos vídeos - no que ele não difere tanto assim de alguns diretores americanos.

Colaborativa, a web pode ser uma delícia

Esta é uma história de iniciativa, solidariedade e talento. Inspire-se.

O documentarista americano Robert Greenwald é conhecido por produzir alguns dos mais populares documentários da atualidade. Dois de seus filmes são emblemáticos: "Outfoxed", que analisa os subterrâneos da grande mídia corporativa, e ”Wal-Mart: The high cost of low price”, sobre a cultura capitalista da gigante americana do varejo Wal-Mart. Muita gente foi conquistada pelo talento de Greenwald de contar uma boa história.

Pois esta mistura de criatividade e fidelização levou o cineasta a encontrar uma maneira original de arrecadar dinheiro para seu novo documentário, “Iraq for Sale”, que falará sobre as empresas que lucraram com a guerra do Iraque.

Segundo notícia do jornal “The Washington Post”, ele mandou e-mails pedindo doações para milhares de pessoas que haviam comprado seus DVDs ou que haviam demonstrado algum tipo de interesse em sua obra anterior.

O resultado foi surpreendente. Em dez dias, o documentário arrecadou US$ 267 mil. Desse total, US$ 185 mil vieram de cerca de 3 mil doadores, que deram em média US$ 62,00 cada, e US$ 82 mil de um fabricante de equipamentos médicos. Em troca, todos eles aparecerão nos créditos.

Além disso, o filme conseguiu mais US$ 100 mil de um bilionário anônimo, que havia se comprometido a ajudar caso eles conseguissem levar a idéia adiante.

Fica uma lição espetacular de iniciativa, especialmente para a produção cultural brasileira, que se mostra excessivamente dependente do dinheiro do contribuinte.

22.8.06

oportunidade

Se você é de Pernambuco ou mora perto daqui e está procurando emprego, talvez esta seja uma boa oportunidade: A prefeitura do Cabo de Santo Agostinho vai abrir concurso público para preencher 1. 473 vagas de níveis médio, técnico e superior. As inscrições estarão abertas de 28/08 até 15/09 nas casas lotéricas vinculadas à Caixa Econômica Federal e neste site, que divulgará o edital do concurso. O valor das inscrições será de R$ 35,00 para os níveis médio e técnico e R$ 60,00 para cargos de nível superior. Os salários variam entre R$ 350,00 para professor de nível I a R$ 3.200,00 no caso de auditor do SUS. O manual do candidato custará sete reais.

amor imperfeito

Bonita, carismática, mãe exemplar, a jornalista Mônica Silveira viu-se envolvida com histórias de dor e sofrimento ao apresentar a série de reportagens "Amor Imperfeito", sobre o problema da violência contra a mulher, fato crescente e motivo de preocupação pública em Pernambuco.

Os programas foram exibidos no NE TV, telejornal da Globo no Estado. Hoje, o Brasil inteiro conheceu o trabalho da jornalista, através do programa Mais Você, da Ana Maria Braga.

A participação da repórter emocionou os telespectadores do programa da Rede Globo. Durante a manhã, o site do Mais Você recebeu 1.557 mensagens de internautas, elogiando, comentando e pedindo mais informações sobre a série de reportagens.

Na entrevista, Mônica Silveira apresentou um vídeo editado com os momentos mais marcantes da série. Ela também falou sobre os efeitos sociais positivos provocados pelas reportagens. A repórter ainda participou de um chat realizado após o programa.

Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando Mônica apresentou Madeleine e Marcos, os bebês gêmeos que nasceram esta semana. A mãe deles é uma das mulheres enfocadas na série de reportagens. Ela foi estuprada pelo ex-companheiro, de quem havia se separado, e engravidou. Agora, comemora a liberdade com a maternidade.

Clique aqui e acompanhe vídeos de reportagens da série.

21.8.06

votar consciente é exemplo de amor ao próximo

Quando você tiver um tempo, faça um favor a você mesmo e visite o site Transparência Brasil, uma iniciativa monumental contra essa praga chamada corrupção.

Visite o Projeto Excelências, que traz informações detalhadas de todos os candidatos a uma vaga na Câmara dos Deputados, com informações pessoais, bens declarados à Justiça Eleitoral, atuação parlamentar, presença em plenário e emendas apresentadas ao congresso, tudo com riqueza de detalhes.

É uma forma de evitar ser enganado pelos "candidatos botox", maquiados pela mídia eletrônica, como mostra a revista Veja desta semana.

Ao dedicar um tempo para esse tipo de informação, lembre de duas coisas: se você é cristão, lembre-se que biblicamente temos responsabilidades como cidadãos, que passam pela preocupação com o bem-estar do ambiente onde estamos. Saber escolher um representante é uma atividade que cabe nesta responsabilidade. Segundo, cristianismo não é um jogo de palavras. Cristianismo é exemplo. E ele envolve preocupações coletivas. Votar bem, portanto, está inserido no mandamento bíblico do amor ao próximo.

Pense nisso.

o lado perverso da inclusão digital

Educadores, pais, líderes religiosos, políticos, especialmente prefeitos e vereadores, todos precisam prestar atenção à série de reportagem do Diario de Pernambuco, em sua versão impressa (infelizmente, disponível online apenas para assinantes) sobre o Nordeste conectado. É um tema que clama por urgência, pois mostra um lado perverso da necessária inclusão digital brasileira, e alerta sobre a necessidade de uma ação social imediata para evitar uma geração entregue ao caos.

Em um belíssimo esforço de investigação, as repórteres Sílvia Bessa e Teresa Maia mostram, na edição desta segunda-feira, como adolescentes pobres dos grotões nordestinos têm acesso à pornografia através da internet nos computadores das lan houses, que se espalham pelas pequenas cidades.

Esses estabelecimentos comerciais alugam computadores por um preço baixo, uma média de R$ 1,50 a hora, e então meninos e meninas acessam de tudo, longe dos pais, professores ou de qualquer forma de fiscalização. Com a interatividade oferecida pela internet, crianças fazem contatos virtuais e reais com maiores de 18 anos. A conversa é uma só: pornografia.

As histórias são tristes, como a de uma menina de 15 anos, induzida a posar nua para fotos, que viu-se na necessidade de se mudar com a mãe depois que as imagens vazaram pra internet. Outro guri de 15 anos, seduzido por uma mulher de 32 anos que conheceu em salas de chat, viajou para outro Estado, sem conhecimento dos pais, para um encontro. Ações como essas engrossam a lista de crimes de pedofilia, que teima em confrontar as autoridades brasileiras.

Na internet, não há controle pra nada, diferente de programas de TV e rádio, ou mesmo o cinema, sujeitos às normas de uma portaria do Ministério da Justiça. E é neste território sem lei que meninos e meninas pobres do Brasil profundo vão perdendo a inocência, e de certo modo conhecendo um estilo de vida que poderá levá-los a um desinteresse por escola, caráter, futuro enfim. Ao ler a reportagem, o mundo poucas vezes me apareceu tão grotesco, tão distante de tudo que conhecemos sobre civilização.

O jornal dá algumas dicas sobre como os pais devem tratar o assunto com os filhos. A maioria delas envolve conversa, momentos junto com os filhos, conhecer as preferências dos filhos, informá-los sobre problemas como prostituição infantil, pedofilia, entre outros assuntos que, se o adolescente não conhece em casa, pode ficar sabendo de uma forma mais violenta lá fora. Enfim, educação é preciso. E é aí que o problema se agrava,

Este blog acredita que não adianta adotar o caminho fácil de culpar a internet, que é apenas um meio desse enorme problema. A questão é mais séria, e envolve fortalecimento de valores familiares, mais oportunidade de escola e de emprego, estímulo para o envolvimento em atividades artísticas e esportivas e a ação de comunidades religiosas capazes de contagiar os jovens para uma vida mais saudável. Igrejas cristãs têm papel importante neste processo. Pena que gastem quase todo o seu tempo na indiferença para com esses jovens, e na discussão inócua sobre o que é permitido e o que é proibido.

Você pode ajudar a combater essa realidade. Existem organizações, como a SaferNet, que alimentam a discussão sobre crimes desta natureza e abrem espaços para orientação e até denúncias.

20.8.06

nova página

O tempo não comprou passagem de volta, dizia o ator Mário Lago, expressão que compartilho a um dia de completar 32 anos.

O script vai ser de lembranças, agradecimentos e expectativas pelo que ainda está por vir.

toma lá, dá cá

O Jornal do Commercio traz uma reportagem interessante, na edição deste domingo, mostrando como o Bolsa-Família se transformou no maior cabo eleitoral de Lula.

O Bolsa-Família foi criado pelo Governo Lula para amparar famílias abaixo da linha da pobreza. Dá dinheiro, quantia que chega a R$ 95,00, e deste modo está cumprindo relativamente bem uma promessa de campanha, que era colocar comida na mesa de brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza.

Em alguns casos, como Manari, cidade com pior índice de desenvolvimento humano do mundo, quase 80% das famílias recebem o benefício. Em Serra Talhada, sertão do Estado, muita gente deixa de procurar emprego e limitou a renda ao programa.

Duas questões ficam evidentes na matéria: primeira, a lembrança de que temos uma constituição que garante o direito a uma vida digna, sem fome, a todos os brasileiros. Segundo, o pobre, que desconhece direitos desta natureza, acaba associando o benefício ao presidente Lula, e assim, sentindo-se na obrigação de votar no "homem que olha verdadeiramente pros pobres". Aí mora o segredo para a performance do candidato Lula, que avança pra vencer no primeiro turno apesar de toda a dificuldade enfrentada pelo seu governo com as denúncias de corrupção que ocuparam a imprensa brasileira por mais de um ano.

Para quem quer se aprofundar neste estudo, vale a leitura do artigo "Renda e Votos: o democrático 'toma lá, dá cá'", sugestão do jornalista Elio Gaspari.

19.8.06

momento corujão

E corujão por dois motivos: primeiro porque já são quase meia-noite, e Giovanna tem dificuldades pra dormir, algo esperado, já era assim na barriga da mãe, mais energia durante a noite, e então o sono se dá por sobressaltos, e então não conseguimos dormir.

Mas o verdadeiro motivo da corujice está estampada na foto acima: Naninha rindo, docemente, para derretimento do papai e da mamãe.

Engraçado é que, dormindo, ela sorri de vez em quando, o que, segundo a pediatra, é a lembrança do período no útero da mãe, e esta reminiscência provoca um certo regozijo.

A verdade é que se ela continuar sorrindo assim, o papai aqui vai virar insone, só pelo prazer de ver algo tão terno e feliz.

18.8.06

é o networking...

Ontem na aula da pós tive uma conversa interessante com um colega de turma, que mostra bem como a cultura corporativa pode ser desumana às vezes.

Falando sobre rede de relacionamentos, meu amigo explicava como adotou uma estratégia de fazer rotatividade entre grupos de trabalho, e não limitar-se a um único grupo, como aconteceu comigo nos tempos de faculdade, e do qual tenho meus melhores amigos até hoje.

Agora, vem o cara e fala que bom é a rotatividade, que ele precisa conhecer todo mundo porque não sabe como vai ser o amanhã, e cita o exemplo de um coronel militar de nossa sala. "Preciso ser amigo dele", disse, "vai que amanhã uma blitz me pára, aí é só ligar pro coronel e já me livro dessa situação", completou.

Como ontem foi meu último dia de aula neste módulo, só me restou despedir-me daquele que até poderia ser meu amigo de raiz, mas que não deu tempo porque ele tem que correr para outro grupo, não pode perder tempo, é o networking, é o networking...

Quero dizer pros meus amigos o seguinte: não sei se faço bem ou mal pra minha carreira, mas, pra mim, vocês não são uma vantagem competitiva. Vocês são um patrimônio afetivo.

E abraços pra todos.

no calor da hora

O período eleitoral é uma boa oportunidade para se aventurar na história social e política contemporânea do Brasil, acredita a revista Entrelivros, que traz uma lista dos 10 livros fundamentais para entender o período de transição da ditadura para a democracia e os primeiros passos da vida brasileira no regime democrático, nestes últimos 30 anos.

Li alguns livros da lista, e a achei razoável. Como a própria reportagem reconhece, ainda é muito cedo para que a historiografia mais acadêmica tenha se ocupado em profundidade deste período tão recente. Os relatos, como sempre, são de jornalistas, protagonistas e testemunhas. Mas exatamente por isso são significativos: estão sendo contados no calor da hora.

No momento, estou lendo, lenta e saborosamente já há uns três meses, A Arte da Política, do FHC. Bem escrito e com detalhes interessantes, chega a ser compreensível que o ex-presidente ostente sua tão falada vaidade intelectual.

trash news

Um ator, uma cobra e um avião, e de repente isso é destaque dos principais jornais eletrônicos hoje.

Às vezes, a internet é bem irrelevante...

17.8.06

Brinquedo novo

Crescimento econômico, mortalidade infantil, renda per capita, expectativa de vida, índice de desenvolvimento humano, explosão demográfica, população, produto interno bruto...

Precisando de informações pra seus projetos, pesquisas, trabalhos escolares? O Gapminder visualiza o desenvolvimento mundial pra você, já com a versão 2006 para download.

Vai lá. É diversão garantida.

Perguntas que inquietam

Primeiro veio o furo de Veja, que divulgou nome e foto dos parlamentares sanguessugas, termo para os envolvidos no esquema de superfaturamento de ambulâncias, mais de 100 deputados e senadores. A mídia em geral divulgou na seqüência, com a posição oficial da justiça. Agora, o país assiste a possibilidade de mais uma pizza gigantesca em nome da impunidade nacional.

E eu aqui, olhando pra foto de minha filha, me pergunto: deputados e senadores sanguessugas e mensaleiros têm filhos? Eles estão em idade escolar? O que os amigos dessas crianças, professores, e mesmo a sociedade falam pra elas?

Pensando bem, será que sanguessugas e mensaleiros sabem que têm filhos? Se sabem, que exemplo deixarão pra eles, como lembrarão de seus pais, quando adultos?

Histórias que geram sorrisos

Antes de ser um gesto de cidadania, estender a mão é um ato de inspiração cristã. E esta afirmação se reforça com histórias como a de Júnior Santos, ex-morador de uma favela de Olinda que hoje é fotógrafo profissional na Suíca, graças ao apoio que recebeu da Ong Movimento Pró-Criança.

O jovem de 24 anos, que trabalha como garçom em um restaurante suíço, foi ajudado ainda criança pela Ong com aulas de dança, teatro e cursos de preparação para o primeiro emprego. O passo seguinte foi entrar em um curso de fotografia. Aí, Júnior Santos se encontrou.

Hoje o fotógrafo, depois de ter divulgado seu trabalho na Inglaterra, França, Itália, Bélgica e Áustria, organiza para breve uma exposição em 3D na maior casa de exposição fotográfica da Suíca.

A notícia é do Diario de Pernambuco. Para conhecer a Ong e mais histórias como essa, clique aqui.

16.8.06

Surge uma estrela

Postei aqui ontem uma reflexão maravilhosa de Rubem Alves sobre o papel do educador, e a forma como ele surge. Falei sobre esse tema com um amigo professor, e então recebo uma notícia maravilhosa.

Daniele Dutra, 16 anos, adolescente que mora em um subúrbio do Recife, uma das ganhadoras do Prêmio Jovem Cientista do Futuro em 2004, vai realizar um sonho e estudar na Universidade Adventista de São Paulo (Unasp), a partir do ano que vem.

Conheci Daniele no processo de experimentação da pesquisa, cuja idéia era produzir caldo de cana enriquecido com cálcio e zinco como composto alimentar para ser acrescentado na dieta de famílias carentes, solução espertíssima para a desnutrição infantil. Vi o quanto os olhos dela brilhavam com a pesquisa, curiosidade científica aguçadíssima, desejo de conhecer em favor de uma vida melhor para outros.

Agora, Dani recebe a notícia da bolsa em uma universidade adventista, um sonho dela e uma conquista do professor que a orientou e decidiu dar-lhe tutela, caminhar com ela, servi-lhe de guia diante das dificuldades naturais de uma estudante de família pobre da região metropolitana do Recife.

Parabéns a Daniele Dutra, futura cientista que ainda vai dar muito orgulho a este país. E parabéns a Gilberto Santana, caso extraordinário de professor que caminha o presente com os olhos do futuro.

Educadores não são produzidos, diz Rubem Alves. Educadores nascem.

A vida é um sopro

Ontem fui jantar com um amigo dos tempos de faculdade, daqueles que a gente conhece um dia e leva pro resto da vida, sentido exato da palavra fraternidade. Falávamos sobre a finitude da vida, sobre nossa dependência divina para viver, sobre o quanto de estupidez existe na soberba. E então conversamos sobre Ariel Sharon, premiê israelense, e Fidel Castro, ditador cubano.

É intrigante como dois personagens maiúsculos da história contemporânea estão vivendo o ocaso da vida com tanto sofrimento, depois de décadas de uma liderança a ferro e fogo, marcada por intolerâncias, governos com ideologias que pregam liberdade e praticam ódio, onde a guerra e a ausência de liberdades individuais são quase obsessão.

Dois homens poderosos, que a princípio despertaram sonhos de vida melhor em muita gente, e que o tempo a história mostraram-lhes como responsáveis pela morte de tantas pessoas, tantas famílias perdendo entes queridos por ideais que clamavam por sangue para promover uma suposta paz.

Agora, esses líderes causam expectativa mundial por estarem vivendo o que pode ser os últimos momentos de suas vidas.

Na conversa com meu amigo, lembramos do Eclesiastes, que depois de muito viver e muito poder, analisou: "Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadiga, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol" (Eclesiastes 2:11).

Humildade acima de tudo, algo que nem sempre lembramos, quando jovens.

15.8.06

Um chamado com propósitos

Rick "Uma Vida com Propósitos" Warren cutuca o cristianismo internacional e diz que só as igrejas podem deter a pandemia da Aids.

Para o pastor, criticado por alguns por centrar o discurso execessivamente em iniciativas individuais, "as igrejas têm muito a oferecer numa resposta global à pandemia. Primeiro, elas podem contribuir para reduzir o estigma moral e social associado à condição do soropositivo. Segundo, elas dispõem da maior rede organizativa que existe no mundo. 'Em milhares de vilarejos, onde não há escola nem clínica, e nunca existirão, há uma igreja', destacou. Terceiro, as igrejas são a maior fonte de voluntários que há. 'Com 2,3 milhões de membros no mundo podemos reunir mais voluntários que todas as ONGs juntas'.

Mas a maior contribuição das igrejas, segundo Warren, é, na realidade, de outra ordem. “Há uma diferença entre frear a pandemia e detê-la. Usar camisinha, limitar o número de casais sexuais, prover os usuários de drogas com agulhas para que não tenham que compartilhá-las, todas essas coisas podem frear a pandemia, mas não detê-la. Isso só pode ser alcançado por uma série de atitudes que envolvem a fé, como ficar num só matrimônio ou ser fiel dentro dele”.

Cerca de 42 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV no mundo todo. Na Ásia, surgem 14 mil novos casos por dia, segundo dados deste site especial da BBC.

Educar educadores

O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver: aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida. Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente, o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz e mais capaz de conviver com os outros. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar. Por não saber pensar tomamos as decisões políticas que não deveríamos tomar.

Céus, como posso ter demorado tanto para voltar a ler Rubem Alves?

Boa notícia para empreendedores

O empreendedorismo é a saída para um mundo com cada vez menos empregos, mas essas iniciativas esbarram na sólida burocracia brasileira. A Jucepe (Junta Comercial de Pernambuco) tomou uma medida esperta, e facilitou o processo de aberturas de micro e pequenas empresas.

A partir de 2a. feira, a Jucepe vai implantar o Expresso Empresa. Em 24 horas, o futuro empresário obterá o registro mercantil, o CNPJ e a inscrição estadual. Antes, demorava uma eternidade, impedindo a consolidação de negócios e geração de renda por parte de pessoas que querem mais é ganhar o seu sustento com dignidade.

Para quem quer abrir o seu negócio, se interessou e não é de Pernambuco, uma dica:Vai lá no site do Jucepe, pega mais informações, e pressiona seu prefeito ou vereador para agilizar uma iniciativa dessa natureza.

Momento "pai bobo"

O Hospital Esperança oferece um serviço chamado Maternidade Virtual, com fotos e informações de crianças que nascem por lá. Vi agora há pouco a foto de Naninha. Para quem me enviou e-mail pedindo mais fotos de minha guria, dá uma passadinha por lá.

O Brasil tem medo

"Jornalista livre, Brasil refém" é a manchete do Diario de Pernambuco de hoje, repercutindo o seqüestro do repórter Guilherme Portanova e pontuando o estado de espírito da nação diante da "colombianização" do Brasil. Lula classificou o seqüestro de "manifestação de derrota do PCC", e Alckmin denunciou um suposto "terrorismo político-eleitoral". No meio dessa polêmica, a população, diz o jornal, teme virar refém do terrorismo organizado.

Enquanto isso, ontem teve debate na televisão, hoje começa o horário eleitoral, e até agora nenhum candidato apresentou uma proposta convincente de segurança pública.

Orar e vigiar é um conselho bíblico altamente recomendável para este momento importante do país.

13.8.06

Terrorismo midiático

Viramos Colômbia, diz Gilberto Dimenstein sobre o seqüestro e a exibição do vídeo do PCC na madrugada de sábado. A Globo, que não tinha outra saída a não ser preservar a vida do repórter, que continua desaparecido, foi atingida por traficantes organizados e que se valem, agora, do terror sobre instituições de imprensa, algo que o tráfico colombiano até recentemente fazia com eficiência.

De quebra, deixa explícito o temor pelo Regime Disciplinar Diferenciado, prova de que é algo que funciona no criticadíssimo sistema penitenciário brasileiro.

12.8.06

Lições inesquecíveis

Já estou ansioso pra ler "Aprendi com meu pai", lançamento da Editora Versar que traz 54 depoimentos de executivos, artistas, publicitários, músicos, entre outros, contando sobre a maior lição que receberam de seus pais, e sinto que vai ser uma leitura bacana, meu presente para o Dia dos Pais, e deve me trazer reminiscências maravilhosas de minha vida com meu pai, meu herói, meu amigo e meu exemplo de vida, que ficaria feliz se estivesse vivo para ver sua netinha.

Aprendi muitas lições com Seu Amaro, e uma que foi inesquecível foi quando, ao perceber uma conversa banal que tive com um amigo em sua frente, ele me chamou depois e me disse "quando alguém tiver falando com você, pare de olhar de lado e olhe nos olhos da pessoa; isso mostra consideração e faz você lembrar que não está falando com um cachorro", e dito assim parecem ser palavras duras, mas lembro de como essas repreensões eram passadas com doçura, e de como isso marcou minha vida, a ponto de hoje olhar quase obsessivamente com qualquer pessoa que esteja conversando, e de como isso mostra segurança, respeito, humildade e interesse com o outro, como demonstra, na prática, o mandamento divino de amar ao próximo.

E você, lembra qual foi a maior lição que aprendeu com seu pai? Divide com a gente e comenta aí.

PS1: Vai ser meu primeiro Dia dos Pais. Estou com déficit de sono, preocupado com a recuperação de minha esposa, ansioso em ver Naninha mamar sem dificuldades, e prestes a reiniciar minha rotina de trabalho, mas descubro, cada vez mais, que o verdadeiro sentido da qualidade de vida é cuidar de um filho e formar uma família. Está sendo uma experiência sensacional!

PS2: Pra todos vocês, Feliz Dia dos Pais!

10.8.06

renda cai, diz "índice Big Mac"

Uma recente pesquisa mostrou que o trabalhador paulistano precisa trabalhar 38 minutos para comprar um Big Mac, o mais popular da gigante do fast food McDonalds, como informa a Folha Online. No passado, o paulistano comprava seu sanduíche em apenas 32 minutos.

A situação dos cariocas é ainda pior: agora, precisam de 53 minutos (contra 42 no ano passado).

O estudo mostra, no entanto, que paulistas e cariocas ainda ganham dos trabalhadores de Santiago do Chile e de Buenos Aires no tempo necessário para comprar o sanduíche.

Este cálculo, conhecido como "índice Big Mac", foi criado para que se possa comparar de forma simples a paridade do poder de compra --ou seja, a relação entre salários e preços nos diferentes países. Mostra o poder da rede americana, um ícone do capitalismo mundial.

Talvez o único consolo é que, com o achatamento da renda, as pessoas freqüentem menos fast foods e acabem se alimentando de modo simples e melhor. É um raciocínio simplista, mas, se serve de consolo, está valendo então.

Convite a rupturas

O enfado provocado pela burocracia pública brasileira começa na vida do indivíduo logo ao nascer. Tem sido assim para fazer algo simples, como um registro de nascimento, por exemplo. Não consegui fazer o registro de nascimento de minha filha no cartório de Jaboatão dos Guararapes, cidade onde moro há três anos e onde não tenho tido boas experiências na esfera do serviço público, buracos demais, atendimento na área de saúde precário demais, vigilância sanitária ausente demais, e isso em um bairro de maior arrecadação tributária, o IPTU mais alto da cidade. Antes, os cartórios cobravam para fazer o registro de nascimento. Agora, por determinação federal, este serviço é gratuito. A recepcionista culpa a gratuidade do trabalho como responsável pela burocracia. Tenho de vir ao cartório cedo, disputar uma ficha de atendimento em um fila que se pressupõe não ser assim tão civilizada, apelar pra sorte, palavras da mulher que me atendeu.

É engraçado como o serviço público atende o cidadão como se tivesse fazendo um favor, como se não vivessemos em um país de alta carga tributária, e desse modo pagássemos caro para um Estado que nos atende enfastiado, indiferente, e com qualidade do serviço pra lá de questionável. No posto de saúde, ao levar minha filha para ser vacinada, a experiência não foi lá tão diferente. Faltava seringa, faltava vacina BCG e anti-hepatite, e faltava uma atendente que pelo menos olhasse nos meus olhos, já que as duas mulheres responsáveis pelo atendimento no Posto de Saúde de Prazeres, bairro de comércio popular de Jaboatão, continuavam a ler suas revistas ou seja lá o que for enquanto questionavam se, algum dia, chegaria este tipo de produto que também é garantido pelo mesmo governo que avança sobre nós com gula indescritível na hora de arrancar nosso dinheiro para garantir o que um cínico slogan fala em "mudando pra melhor", "governo de todos" ou qualquer uma dessas frases feitas que explicam muito do atual descrédito da política brasileira.

Aproveito para recomendar a campanha online Época Transparência, que convida o internauta a uma ação cidadã digital, monitorando via e-mail e outras formas de interação virtual o que os parlamentares estão fazendo, os projetos dos poderes executivos, provocando o que Ricardo Neves, autor do blog, considera ser rupturas dentro de nosso próprio cotidiano para garantir uma ruptura com o que está acontecendo no atual cenário político-administrativo brasileiro.

Fique de olho

Militante e visionário, o jornalista Ruben Holdorf continua sua saga de unificação dos jornalistas adventistas em favor da sociedade, da imprensa livre e de outras causas igualmente nobres. Sua ação ganha novo fôlego com o blog Jornalistas Sem Fronteiras. Acompanharei.

Política corporativa

Acompanho o trabalho do consultor Max Gehringer desde um perfil dele que li em uma antiga edição da revista Você S/A, e depois as colunas que escreveu na mesma revista e em outras, posteriormente. Considero esse cara alguém com algo a dizer, com idéias realmente novas para o mundo corporativo, não talhadas em clichês ditos por gurus da moda ou algo dessa natureza.

Em recente edição da Época, ao responder à pergunta de um leitor sobre o que é ser político em uma empresa, Gehringer considerou:

"É fazer o que os políticos de verdade fazem, com aquela competência pegajosa: (1) aprender a engolir sapos, e ainda pedir para repetir o prato; (2) saber costurar alianças profissionais, mesmo que a outra pessoa seja detestável; (3) aceitar as críticas com ar de humildade; (4) não se prevalecer de um cargo, ou de uma situação, para humilhar ou menosprezar colegas; (5) elogiar quem mercer um elogio; (6) dar sempre a impressão de que está disposto a colaborar; (7) ser um bom ouvinte. Em síntese, ser político numa empresa é ter todas as obrigações que um político profissional tem. Sem nenhuma das vantagens que eles têm".

9.8.06

Cérebros escaneados

Ao fazer uma consulta sobre marketing estratégico me deparei com o estranho termo “neuromarketing”, que me levou a uma antiga reportagem da revista Amanhã mostrando como a medicina e a biologia estão sendo usadas para “escanear” o cérebro com o objetivo de potencializar os negócios.

Segundo a reportagem, “dispostos a entender a essência do comportamento do consumidor, os marqueteiros estão descendo às camadas mais profundas da mente humana, em um esforço que talvez só Aldous Huxley, o autor do clássico de ficção científica Admirável Mundo Novo, teria sido capaz de imaginar. Utilizando novas tecnologias da medicina e da biologia, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, os cientistas das vendas querem mapear como cada um dos nossos neurônios reage ao estímulo de uma marca, ao sabor de um refrigerante ou aos apelos de um simples outdoor na rua. A expectativa é de que, no futuro, as empresas consigam entender com um nível de detalhamento inédito quais são os fatores que desencadeiam toda a corrente de desejos, necessidades e anseios que leva uma pessoa a achar que vale a pena pagar um pouquinho mais por determinado produto”.

O autor da reportagem tenta nos consolar, dizendo para não nos preocuparmos com a possibilidade de ter a mente invadida, mas vibra com as possibilidades geradas por este avanço tecnomercadológico. “Por exemplo, um fabricante de automóveis poderá escanear o cérebro de um consumidor-cobaia para saber que tipo de relação as pessoas têm diante de um novo veículo – mais emotiva ou mais racional. Essas informações, acredita-se, poderão orientar campanhas publicitárias e estratégias de marketing mais eficazes. Mais do que isso, as pesquisas deverão servir de referência no desenvolvimento de futuros produtos. No momento em que as empresas souberem, com rigor científico, como criar mercadorias que despertem o desejo de consumo no ser humano, a garantia de retorno será total.

O site da revista disponibiliza a matéria na íntegra. Para quem se liga em assuntos ligados ao desenvolvimento da ciência, profecias bíblicas e campanhas para manipulação das pessoas, é um prato cheio à reflexão sobre estes tempos estranhos que estamos vivendo.

“Você está demitido”

TV aberta é sempre uma das coisas mais chatas de se assistir, mas me divirto com o formato brasileiro de “O Aprendiz”, já na terceira edição, onde um grupo de executivos testa conhecimentos e habilidades para concorrer a um emprego, agora em uma empresa de comunicação em Nova Iorque, com salário de R$ 500 mil reais.

O programa é apresentado pelo publicitário Roberto Justus, e até agora os líderes das equipes perdedoras da gincana têm se dado mal. Primeiro foi a paraibana Marília Dantas, pós-graduada em Finanças pela FGV, avaliada como uma líder “democrática demais”, ouvia todo mundo, mas na hora de tomar decisões que dependem da firmeza de quem está no comando vacilou, o que prova que, no mundo do trabalho, a democracia nem sempre é uma virtude. Me lembrou a frase de Winston Churchill, “o que quero, senhores, é que depois de uma razoável período de discussão”, todos os senhores concordem comigo”.

Outro demitido pelo Justus foi o Fabrício Lopez, MBA Executivo em Administração, que comandou uma fracassada experiência de promoção de eventos, e que conseguiu superar em falta de perspicácia um concorrente de nome Pedro Hanz, paulista, pós-graduado em Administração pela FGV, totalmente sem noção, que ficou o programa inteiro soltando piadas grosseiras e preconceituosas, o que poderia ser considerado até mesmo um desvio ético, mas o líder teve a desfaçatez de se justificar dizendo que o resultado foi ruim porque os seus comandados não o deixaram liderar, o que me levou a considerar que seu fim foi selado ali, o que de fato aconteceu.

O Aprendiz se diferencia de outros programas por agregar entretenimento com uma noção interessante de como é o mundo corporativo. Ficar atento ao programa permite refletir, depois, sobre posturas profissionais que podem ser levadas ao ambiente de trabalho e ajudar a crescer na carreira. Acompanharei.

Jogo de cintura faz diferença

Em casa, com o tempo exclusivamente dedicado à recuperação de minha esposa e à curtição de minha filha, em função da licença paternidade, sobra um tempinho extra pra zapear a televisão e acompanhar as novidades.

Uma delas é a série de entrevistas que o Jornal Nacional está fazendo com os presidenciáveis. Ouviu Geraldo Alckmin na segunda e nesta terça foi a vez de Heloísa Helena. Fiquei admirado com a falta de timing do Alckmin, foi impressionante ele ter ido pra bancada do telejornal de maior audiência do país exatamente no dia em que o PCC orquestrou um dos piores ataques da semana, e é claro que o tema segurança pública dominou a entrevista, além da corrupção e educação, tema do qual, em determinado momento, o ex-governador paulista pareceu ingênuo ao dizer que não tinha os dados para responder a pergunta.

Heloísa Helena mostrou mais tino político, e o casal JN pareceu mais desconcentrado, sem fazer perguntas tão objetivas quanto fizeram pra Alckmin. Fátima começou bem, perguntando como a senadora governaria com um partido que tem simpatia por regimes menos socialistas e mais totalitários, e Heloísa falou que uma coisa é o programa do partido e outra coisa é o programa de governo, o que curiosamente me lembrou da situação entre o Lula e o programa histórico do PT. Mas depois a conversa só serviu pra senadora se desviar de algumas questões, com direito a Heloísa Helena chamar Bonner de “meu amor” para rebater argumentos contra sua já conhecida “cabeça quente”.

Talvez por ter mais jogo de cintura político é que a senadora sobe nas pesquisas, já estando à frente de Alckmin no Rio de Janeiro, segundo as mais recentes.

Altas horas

A expressão “ser mãe é padecer no paraíso” não fazia lá muito significado pra mim até ver uma amiga da família, através de uma massagem, trucidar a mama de minha mulher já bastante dolorida em função de uma quase petrificação do leite que nossa guria não conseguia sugar, e ela, minha mulher, chorando e gritando de dor enquanto eu ficava com cara de pastel sem saber exatamente o que fazer, para ver, logo em seguida, sua alegria em ter a pequena nos braços, ninando antes de levá-la ao berço.

Agora estamos às 02h32 da manhã e nós não conseguimos dormir, nossa menina está às voltas com uma cólica e eu às voltas em preparar um luftal, coisa fraquinha, recomendado pela pediatra, para ver depois de mais de uma hora a filhinha dormir, finalmente, sendo que eu tenho que fazer um chek in às 05h da manhã para um vôo a Salvador, onde vou fazer um trabalho de pré-produção para um seminário de administração financeira que vai acontecer em setembro, e devo retornar a Recife ao meio-dia a tempo de levar Naninha para ser vacinada em um posto de saúde pertinho de casa.

O dia, portanto, vai ser um dos mais longos que já tive. Mas tá valendo, e ver a satisfação da própria filha depois de saciada com o precioso leite materno já me leva a roubar o slogan do McDonalds e pensar “amo muito tudo isso”.

Dormir não vou mais. Só me resta então navegar e blogar.

6.8.06

Carta para Naninha


Naninha,

Sexta, dia 04 agosto, às 14h09, o Senhor convocou uma reunião de emergência no Céu. Às 14h32, enquanto uma enfermeira limpava você e lhe vestia em um berçário, e no momento em que uma equipe médica concluía um procedimento cirúrgico em sua mãe, Deus estava no Céu, nesta reunião urgente, com milhares de anjos.

O Pai Celestial estava decidido a escolher um anjo que guiará você por toda a vida, dando-lhe proteção e acompanhando seus passos. Era uma missão de muita responsabilidade, pois os anjos entendiam que a menina que acabara de nascer era razão de muita alegria para o Criador. Mas todos os anjos queriam aquela missão, doce, agradável, de acompanhar os passos da linda menina que chorava no berçário de um hospital em Recife.

Por isso, filhinha, no momento em que suas tias olhavam você, embaixo de um aquecedor, prestes a ficar disponível para ser levada para o quarto, um a um, os anjos explicavam os motivos pelos quais se consideravam capazes de cuidar de você.

O primeiro a falar foi o Anjo da Paz.

- Quero ser o Anjo da Guarda de Naninha. No mundo em que ela vive, vai ser preciso esta segurança. Ela veio ao mundo em um momento onde as pessoas estão cada vez mais dominadas por sentimentos de ódio. O mundo está cego para a beleza da vida, e viver é algo cada vez mais difícil e perigoso. Existem conflitos em toda a parte, e as motivações para os confrontos são cada dia mais banais. Não dá para deixá-la a mercê dessas circunstâncias. Esta bela garota precisa de sossego, segurança, de uma vida tranquila. Quero levar a Paz para Naninha.

O Senhor considerou boas as palavras do anjo, enquanto sua mãe saía da sala de cirurgia para o apartamento, onde dormiria em seguida. O Senhor retomou a reunião, e um segundo anjo falou. Era o Anjo da Alegria.

- Eu também quero ser o Anjo desta menina, Senhor. Quero fazê-la rir, levá-la a encarar a vida com humor. No mundo de hoje, as pessoas estão cada vez mais distantes, é uma vida de condomínio, onde as relações são distantes e frias. Naninha precisa sentir a alegria de viver que seus avós sentiram, jogando conversa fora com os vizinhos na calçada, depois de um dia de intensos trabalhos. Quero ajudá-la a perceber a importância de um sorriso, e fazer com que sua vida seja iluminada, alegre, sorridente e encantadora. Esta menina precisa de mim, ó Altíssimo. Quero levar Alegria a Naninha.

Deus ficou satisfeito com a apresentação deste anjo, e enquanto isso, você ia para o quarto, vestida, frágil, sonolenta. Seu pai, emocionado, não se furtou em derramar uma lágrima.

Na reunião celestial, O Senhor Deus estava prestes a anunciar a sua escolha, quando um anjo muito poderoso pediu para falar. Todos os anjos se entreolharam, surpresos em ver a determinação de um anjo tão importante em cuidar de uma simples garotinha. O Senhor autorizou o anjo a falar. Era o Anjo do Amor.

- Eu também me disponho a cuidar desta menina, Senhor. Sinto que ela vai precisar de amor, praticá-lo, dar e receber tão nobre sentimento. É preciso que ela entenda que o mundo tem solução, que o Senhor proporcionou uma solução para um mundo perdido que passava pela ordem, urgente e necessária, de amar ao próximo e amar a Ti, ó Pai! Naninha vai saber que mesmo em um mundo frio, competitivo, desumano, ela vai viver a vida sob a orientação do Amor, e vai inspirar muitas pessoas a ter este sentimento como algo inerente a suas vidas, tão vital quanto o ato de respirar. Quero que esta menina seja amada e ame muito, Senhor. Quero levar Amor a Naninha.

Depois destas palavras, até os demais anjos concordavam que a decisão do Senhor estava praticamente tomada. E você, bela, feliz, dormia.

O Senhor chamou os anjos e anunciou sua surpreendente decisão. Naninha não teria apenas um anjo da guarda, mas três. E foi assim, Naninha, que naquela tarde de 04 de agosto, enquanto você dormia, visitaram o seu quarto o Anjo da Paz, o Anjo da Alegria e o Anjo do Amor. Beijaram você, brincaram com você, oraram por você.

Do Céu, Deus acompanhava tudo e sorria, saisfeito. Foi neste momento que Ele decidiu acender mais uma estrela, e dar a ela o nome de Giovanna.

E esta estrela brilhou, e foi motivo de muita festa no Céu.

(Inspirado em texto de Frei Betto)

Sexta passada minha vida mudou





Então é assim, eu sou pai.

Aconteceu na sexta passada, às 14h09, no Hospital Esperança, em Recife. Naninha veio ao mundo com 50 cm, 3,345 kg e uma capacidade irresistível de inspirar ternura em muitas pessoas.

Vejo atributos meus em Giovanna. O queixo, por exemplo, ou uma curiosidade natural que a faz levantar a cabeça ao menor sinal de conversa. Tem muito da mãe, o formato dos olhos, a boca, o que mostra como é verdadeira a profecia bíblica que de um casal surge uma só carne. Naninha é um resumo de nós dois, e seguramente será usada por Deus para alimentar ainda mais nossa união.

Esperávamos esse momento há algum tempo. E então ele chega, e mostra que minha vida mudou. Para sempre.

Obrigado,Deus. Que o Senhor me dê forças para educá-la em um caminho com lugar para a paz, a segurança, a alegria e um desejo interminável de te seguir e servir as pessoas ensinada pelos Seus Ensinamentos.