28.7.06

Heloísa Helena e eu


Eu estava em Brasília, vinha de Campo Grande e esperava uma conexão para Recife, essas coisas que só a aviação brasileira faz por você, quando ela sentou ao meu lado. Mais franzina que aparenta, bonita, meiga que surpreendeu, a senadora Heloísa Helena sorriu, me deu bom dia, sentou, abriu o jornal e começou a ler. Eu estava cansado, vinha de um trabalho exaustivo no Mato Grosso do Sul, respondi e fiquei sem vontade de puxar um papo, conversar sobre sei lá o quê, dizer que acompanhava seu trabalho no Senado, mas deixei pra lá.

Hoje, quase dois anos depois, o meu caminho e o da agora candidata a presidente do Brasil voltam a se aproximar, já que ela está em Recife, faz campanha, deve passar o dia.

Eu sempre achei Heloísa Helena uma figura combativa, admiro-a, apesar de não votar nela, gostei especialmente da maneira emocionada com que ela apresentou o Projeto Mais Vida no plenário, lendo o texto, belíssimo, da campanha, que contrastava o ato de doar sangue com as atitudes dos co-autores da crucificação de Jesus.

Heloísa Helena parece ter um poder de atração entre os jovens e entre aqueles que querem uma certa revolução, de preferência confrontando as instituições, o poder ao povo, esses slogans que estão na boca dos revolucionários de esquerda desde que existe o marxismo.

Os jovens devem sentir uma certa simpatia por esta mulher combativa, de ares franciscanos, simplicidade em pessoa, que profere até mesmo declarações simples como se fosse um ato revolucionário, algo épico, como se daquelas palavras dependesse o futuro de toda a humanidade.

Não sei porque, mas ao pensar na senadora me vem à mente modelos governamentais de Cuba, ou da China, lugares onde o socialismo domina, mas que não representa necessariamente uma vida melhor do que aquela onde o capitalismo é dominante, maioria hoje.

Heloísa Helena, de repente, me parece vir da mesma raiz de onde surge coisas como a contracultura, Nietszche, filmes como "V de Vingança", onde o herói é um terrorista que joga bombas em orgãos públicos (!).

Eu continuo achando-a simpática, uma pessoa bem-intencionada, que tem uma história que merece respeito, e tudo isso explica que no momento mais de 10% intentem votar em seu nome, mas não sei se suas idéias podem trazer algo de bom para o país, se bem que a esta altura a própria política brasileira padece de algo que mereça um pouco de credibilidade.

27.7.06

Horário eleitoral

Com certo atraso, Parajornalismo congratula e faz campanha pela indicação do blog de Michelson Borges ao prêmio The Best, além da sétima posição, na Gazeta dos Blogueiros, ao eleger os melhores por categoria. Votar no Blog do Michelson é reconhecer um site com conteúdo incrível e serviço garantido, já que o jornalista é hoje um gladiador contra as inverdades rotineiramente perpetradas pela mídia.

Ao mesmo tempo, Parajornalismo lê e se delicia com o blog Realidade em Foco, do jornalista Felipe Lemos. Aconselho a você dar uma passadinha por lá também.

Para o jovem que pensa


Saiu a Conexão JA, revista nova no mercado, produto da Casa Publicadora Brasileira. É leitura para o jovem que pensa, como sugere logo na capa, e tem gente boa na jogada, como Michelson Borges, Odaílson Fonseca e Erton Kohler.

Aliás, meu agradecimento a Odaílson Fonseca, já nordestinado, pela indicação deste Parajornalismo como parada para quem está navegando na web.

A arte do começo


Se tem um cara que estou curtindo ler é Guy Kawasaki, colunista da Forbes, fundador e CEO da GarageTechnology Ventures, e um dos papas da era de ouro do Vale do Silício, os tempos da bolha da internet, gente ficando milionária da noite para o dia ao criar coisas como o Yahoo, por exemplo.

No momento, estou lendo "A arte do começo". E o olho já cresceu para "O Jeito Macintosh", está na agulha, lerei em breve.

"A arte do começo" é leitura das boas, apresenta de forma prática, descontraída, informal, meio o jeitão do Kawasaki, os passos mais importantes para lançar um novo produto, uma nova marca, abrir uma empresa ou iniciar qualquer projeto, lucrativo ou não. Até mesmo uma organização religiosa, como preconiza na contracapa do livro o pastor Rick Warren, guru religioso do momento.

Os capítulos abordam sobre como apresentar uma idéia, um plano de negócios, como criar e valorizar marcas, como captar recursos, tudo com riqueza de detalhes. Amei a estratégia "10/20/30" para a apresentação de uma idéia - 10 slides, 20 minutos de apresentação e uns 30 para discussão do produto.

O livro é leve, você nem percebe o tempo que dedica a ele, de tão fácil que flui a leitura. Recomendo.

Dica das boas


A propósito, estudar a profecia na história fica mais fácil e elucidativo com a leitura do livro "O Grande Conflito", de Ellen White, histórico, imprescindível.

Com base em textos bíblicos e de historiadores como Josefo, a autora faz uma apanhado do que aconteceu, ao longo do percurso humano, até chegarmos a situação em que nos encontramos hoje. E descreve o que considera que será o futuro da terra, daqui em diante. Imperdível.

A profecia segundo a TV Record


Oportunismo talvez seja a palavra que melhor defina a reapresentação de "Fim dos Tempos", um superdocumentário produzido pela TV Record para pontuar o pensamento da emissora sobre efeito estufa, tsunamis, furacões, guerras e outras calamidades que dão à terra um prazo de validade cada vez mais curto.

Assisti o programa faz alguns meses, gostei, apesar de achar um tom meio pessimista na mensagem, algo para chocar, pelo menos essa é a impressão que eu tive.

A reapresentação foi feita em cima de algo que é manchete mundo afora, o conflito entre Líbano e Israel, cada vez mais sangrento e fatal, para civis libaneses, especialmente. É triste a situação do Líbano, que me parece ser um lugar bonito e de pessoas agradáveis. O país serve como palco para uma guerra nada a ver entre Israel e milícias do Hesbollah incentivadas pela Síria e Irã.

O programa da Record pretende fazer uma leitura das profecias bíblicas sobre o tempo do fim. O que poderia ser mais explorado é a mensagem de otimismo por trás de acontecimentos tão nefastos. Meu pai costumava dizer que profecia é a caminhada de Deus na história em direção à libertação eterna da raça humana. Eis uma frase que resume bem o que penso de acontecimentos proféticos: por trás do sangue e do descontrole da natureza, há um Deus se mexendo na história para dar uma vida nova a homens e mulheres, milhões deles, que acreditam e aguardam a volta de Jesus.

Ps: Agora volto em definitivo a Parajornalismo. Depois de viagens exaustivas e desencontros com o modem, estou de volta a este espaço, depois de muita saudade.

11.7.06

Sinal de Vida

Este blog está vivinho, apesar do autor viver uma roda viva de obrigações para uma campanha de marketing educacional para o Nordeste, com prazos curtíssimos.
E, para comprovar a sobrevivência, segue um texto maravilhoso do jornalista Ruben Holdorf, mostrando, a partir de uma declaração do jogador francês Tierry Henry, como escola e educação podem estar tão dissociadas no Brasil.

Escola não é tudo, futebol menos ainda
Ruben Holdorf

Três dias antes daquele jogo fatídico contra a França, o atacante Henry tocou na ferida brasileira. Mesmo sem desejar ofender a honra verde e amarela, ele parece ter atingido o âmago dos atletas da seleção canarinho. Tentando identificar os motivos de os craques do Brasil serem superiores aos franceses, Henry apontou a falta de escolarização como uma vantagem tupiniquim.

Apaixonado por uma bola, Henry era obrigado pela mãe a não gazetear as aulas. Futebol, só se sobrasse tempo. Enquanto isso, em outras latitudes, meninos pobres, sem chuteiras, magros de fome, desestimulados pela violência a freqüentar uma escola, participavam de peladas das 8 da manhã às 6 da tarde.

Na visão do francês, o Brasil levava vantagem dessa forma. Indiretamente ele rotulou a tropa de Parreira de vagabunda, ignorante, burra e dependente do futebol para sobreviver. Com algumas exceções. Raríssimas, por sinal.

Henry tratou os jogadores do Brasil como atores circenses, reis do espetáculo, do passatempo de europeus endinheirados, figurantes das modernas arenas do velho mundo. Gladiadores do século XXI, adquiridos em outros continentes e leiloados por empresários de índole, moral e formação duvidosas. O fato de Cafu, o líder em campo da equipe, aceitar a sutil provocação inimiga como verdade suprema, pode ter abatido o moral ou, então, elevado às alturas aquele orgulho idiota de quem nunca pisou numa sala de aula mas obteve sucesso financeiro.

A verdade dita por Henry não vai melhorar o nível de escolarização nacional. Muito menos o reconhecimento de Cafu, suprema desgraça. Afinal, escola não é tudo. Futebol, menos ainda. Milhares de garotos continuarão a tentar uma vaguinha nas escolinhas dos clubes em todo o País sem se conscientizar de que apenas 23 chegarão à seleção na Copa da África do Sul, em 2010. Na outra ponta, a maioria perderá anos de vida atrás de um mísero salário, iludida por empresários inescrupulosos. Em geral, políticos ou correligionários líderes de currais eleitorais. Gentinha conectada ao submundo. Antes dos quarenta anos de idade, os atletas cairão na informalidade, pois não terão estudo ou qualquer preparo profissional e formação acadêmica que os ampare.

Henry evidenciou que a escola não resolve todos os problemas e necessidades humanos. Mas a educação, sim. Para demonstrar eficácia, a escola necessita estimular futuros cidadãos à reflexão, a repensarem suas relações sociais, políticas e econômicas. Escola que forma robôs não educa, mas deforma. Por tudo o que significam a frase e o gol de Henry e o resultado do embate franco-brasileiro, vale a máxima de que a escola continua sendo a melhor saída, desde que provida de conceitos e filosofias educadoras. Quanto ao futebol, este é para poucos, humildes, inteligentes, temperantes, capacitados ao trabalho em equipe, cheios de garra e brio, com um mínimo de vergonha na cara para honrar a nação representada.

Educação extrapola o campo da escolaridade. Atinge tanto os privilegiados quanto a massa. Durante o jogo contra Portugal, o comentarista da Globo, Casagrande, chamou várias vezes Henry de “mascarado”. Seria um sintoma de ódio pela verdade exposta pelo francês? Teria Casagrande colocado a carapuça e se contemplado no espelho da vida ao lado de Cafu e companhia? Que pena! A Rede Globo perdeu a grande oportunidade de estimular os jovens à educação acima da prática do futebol. Se depender dos “educados” e formatados pela filosofia global, Henry se perpetuará como um vilão, carrasco e mau-caráter. Daqui uma década, a verdade de Henry virá à tona.