30.5.06

SE A FÉ FOR MAIOR QUE UM GRÃO DE MOSTARDA...

Às vezes me parece que o maior desafio para um líder cristão contemporâneo é manter acesa a chama da fé, em detrimento da mera institucionalização do ofício religioso.

28.5.06

CRISTÃOS DÃO EXEMPLO DE INCLUSÃO SOCIAL

Está em curso, no interior de Pernambuco, um dos mais bonitos projetos de inclusão social já realizados por um movimento cristão no Estado. É uma história com elementos de união, parceria, solidariedade, cidadania e sentimento de missão. Envolve o lado prático do cristianismo, aquele visível aos olhos das pessoas, e que, exatamente por isso, tem profundo poder de transformação de vidas.

O fato acontece em Garanhuns, uma das mais bonitas cidades de Pernambuco, a 230 km de Recife. Estou visitando a cidade desde sexta-feira, para conhecer a Associação Garanhuense de Inclusão Social (Agis), entidade ligada à Igreja Adventista do Sétimo Dia que representa oportunidade de geração de renda para muitas pessoas. Meu objetivo é produzir uma reportagem mostrando como boas idéias podem trazer resultados capazes de mudar a vida de muitas famílias. E a Agis é uma boa idéia, incentivada pelo pastor local, Edson Pinto, que descobriu no município um alto índice de desemprego, com impacto ainda mais profundo entre os adventistas, por observarem o princípio religioso do sábado.


Para vencer este desafio, surgiu um conceito simples: criar uma organização, uma espécie de cooperativa, para desenvolver o empreendedorismo entre pessoas com força de trabalho e criatividade. A Agis surgiu desse sentimento. Em menos de um ano, a entidade conseguiu mobilizar pessoas para o empreendimento; recebeu autorização do prefeito para usar trecho de rua em endereço nobre, próximo ao maior parque da cidade; e apresentou, para a população, a Feira Solidária.


Em menos de um mês, a feira já é um acontecimento. São 16 estandes abertos na noite do sábado e na tarde de domingo, oferecendo artesanato, confecções, brechós, lanches, quadros, esculturas regionais e outros produtos. Deve fazer parte do calendário turístico da cidade, dentro da programação do principal evento, o Festival de Inverno, que acontece em julho. "Estamos vivendo um momento muito especial. Quem quer trabalhar vai encontrar neste projeto uma oportunidade de gerar renda para a família", me disse Madalena dos Prazeres, secretária da Agis.


Vendo a alegria dos empreendedores adventistas em Garanhuns, é animador fortalecer a percepção de como a vida cristã oferece mudança de vida. E algo palpável, visível, capaz de fazer com que cidadãos oprimidos pela falta de oportunidade encontre alternativas em ações que têm como principal fundamento o amor que o Evangelho apregoa. Em Garanhuns, o Evangelho está sendo vivido na prática. Ao unir-se para uma ação social, eles falam para Garanhuns algo comum entre os cristãos primitivos: fé e obras andam juntas, e compõem o cenário para o fortalecimento da mensagem cristã em um mundo moderno cada vez mais complexo.

23.5.06

A ORAÇÃO DE LULA

O presidente Lula provou mais uma vez sua habilidade em comunicação ao adotar um discurso religioso para mais de cem pastores, ontem, no Palácio do Planalto, e de certo modo trazer parte do braço evangélico para sua campanha.
O presidente orou com os pastores, disse ver milagres nos programas sociais, e afirmou que quer continuar a parceria com as igrejas evangélicas para o desenvolvimento dos projetos governamentais.
Lula lembrou sua infância pobre em Garanhuns, PE, e disse acreditar que tudo que lhe aconteceu prova a sua fé em Deus. "Estou na Presidência não apenas por força humana", disse. "Sou um homem de fé, vejo a mão de Deus em nossas ações".
Pela reação dos pastores, percebe-se que a popularidade do presidente é alta também entre líderes evangélicos, a despeito da crise que ronda seu Governo há mais de um ano.

A Notícia é do jornal O Estado de São Paulo.

E-VANGÉLICOS

Na era da informação, os religiosos encontram na internet, nas mensagens de telefones celulares e podcasts os novos caminhos para divulgar a palavra de Deus.
Neste final de semana, por exemplo, o pastor californiano Ken Baugh contra-atacou a estréia do filme "O Código da Vinci" distribuindo entradas de graça. Os ingressos eram acompanhados de um convite para tomar café na cafeteria Starbucks, ao final do filme, e também distribuíam 325 iPods de presente, com seus sermões rebatendo os argumentos do livro de Dan Brown.Em vez de atacar o filme que questiona as origens e o desenvolvimento teológico do Cristianismo, Baugh prefere a discussão. Para isso, utiliza armas modernas que promovem o diálogo entre os não-convertidos sem ter de levá-los à igreja, lugar que --segundo uma pesquisa recente-- só 17% dos paroquianos consideram essencial.
Embora alguns considerem os argumentos exagerados, Baugh não é o primeiro que tenta levar a mensagem de Deus por outros formatos. Nos EUA, as formas de conquistar fiéis são as mais variadas.O último evento E3, a maior convenção do entretenimento eletrônico, marcou o lançamento do jogo Left Behind: Eternal Forces, uma luta contra o anticristo em um mundo pós-apocalíptico onde os aliados são os anjos e é preciso ler partes das Sagradas Escrituras.Com o tema "Você falou com Deus hoje?", a empresa FaithMobile oferece um serviço que, com o pagamento de US$ 5,99 mensais, os clientes podem receber mensagens bíblicas, proteção de tela, fotos e imagens em seus telefones celulares.As opções para toca-MP3 são variadas, com muitos sermões disponíveis na internet para que cada um escute em seu tocador digital.
As inovações despertam dúvidas e uma variedade de estudos teológicos, como o "E-vangélicos, Conectando-se com a Geração na Rede" ou "Vendendo a Igreja: Os Perigos da Promoção Eclesiástica", que expõem os riscos de transformar a fé em mais um objeto de consumo.No entanto, a propagação eletrônica da palavra de Deus é um fato e 60% das igrejas protestantes nos EUA têm página na internet.
Além disso, há também grupos de oração como http://www.worldprayerteam.com/, nos quais as preces personalizadas cruzam fronteiras para pedir pela saúde de um paciente com câncer e o fim da violência entre vizinhos, por exemplo.Como confirma a empresa de publicidade cristã "Holy Cow Creative", o objetivo é ter a chance de ser moderno, transgressor, relevante e tirar o peso que sempre acompanha a palavra "sermão", mesmo fora das igrejas.
Da Folha Online

GOVERNADOR LAMENTA FALTA DE "REGRAMENTO RELIGIOSO"


Passado o momento crítico da guerrilha civil em São Paulo, vale a pena dedicar alguma reflexão na surpreendente entrevista do Governador Cláudio Lembo ao jornal Folha de São Paulo, onde ele comenta as motivações para a violência e o crime organizado.


Lembo ressalta a importância de valores morais que a religião proporciona para a formação do caráter, e lamenta o declínio do interesse religioso por parte da população; afirma que a sociedade vai ter de colaborar para investir em educação; e salienta que o consumidor de drogas financia o tráfico, raciocínio expresso por este blog alguns posts atrás.

A seguir, os principais trechos, segundo Parajornalismo:

Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?

Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito maior do que se imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que começar a refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um componente criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga é um produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver consumidor de drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, na Espanha. O crime se alimenta do consumidor de drogas.

Folha - E da miséria...

Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado destruiu valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão social é muito grave.

Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?

Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

22.5.06

RELIGIÃO FAZ BEM PARA PRESSÃO ARTERIAL, DIZ ESTUDO

Participar de atividades religiosas tem um efeito positivo sobre a pressão sangüínea, de acordo com estudo apresentado em reunião da Sociedade Americana de Hipertensão, em Nova Iorque.
Ao término de um estudo feito entre mais de 5.300 pessoas de raça negra nos Estados Unidos, os pesquisadores do Centro Médico da Universidade do Mississipi encontraram os efeitos positivos.
"Nossas conclusões mostram que a integração da religião e da espiritualidade - freqüentar a igreja e rezar - podem proteger indivíduos do stress e evitar os efeitos destrutivos da hipertensão", diz Sharon Wyatt, uma das autoras do trabalho.
Fonte: Estadão

PARCERIAS IMPROVÁVEIS

Foi-se o tempo em que os comunistas eram declaradamente ateus. Agora, eles caçam evangélicos na hora de compor alianças para propostas de governo.
O exemplo mais forte vem do Distrito Federal, onde o ex-ministro dos Esportes, Agnelo Queiróz (PCdB), tem o apoio de 15 pastores em sua intenção de concorrer ao Governo. Em outros Estados, é aberta a política de alianças de membros do PCdoB com líderes evangélicos. Até o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB), é conhecido nos corredores do Congresso como "o comunista do Senhor".
Francis Fukuyama usaria esses exemplos para consolidar sua tese de fim da história.

19.5.06

ALBRIGHT: EUA PRECISAM COMPREENDER ISLÃ

Madeleine Albright, a poderosa secretária de Estado dos EUA no governo Bill Clinton, está de volta. Em abril, conversou com a Global Viewpoint sobre seu novo livro, The Mighty and the Almighty: Reflections on America, God and World Affairs (O Poderoso e o Todo-Poderoso: Reflexões sobre os EUA, Deus e Assuntos Mundiais), no qual examina o profundo impacto da religião na visão dos EUA sobre o próprio país, os desafios levantados pela guerra no Iraque e a importância de compreender o Islã.
É interessante a visão de Albright sobre o poder e o lugar da religião na motivação das pessoas. Ela sugere uma parceria entre religião e política, usada do modo apropriado, para funcionar como uma força para a justiça e a paz. Faz uma análise surpreendente sobre como a cultura de massa trouxe, como fator negativo, desejos e sentimentos nocivos ao bom convívio humano. E defende que entender as crenças e motivações dos outros faz parte do jogo político.

A seguir, trechos da entrevista:
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, enviou uma carta ao presidente George W. Bush na qual levanta a perspectiva de uma abordagem comum das relações, baseada nas religiões monoteístas. Este não seria o tipo de coisa a que os EUA deveriam responder em vez de desconsiderar?

Estou certa de que a Casa Branca tem boas razões para desconsiderar a carta do presidente do Irã. Meu conselho pessoal, contudo, seria usar a carta como uma oportunidade para praticar uma diplomacia pública eficaz. Se não a respondermos de maneira substantiva, alguns poderiam suspeitar que não temos boas respostas aos muitos exageros, equívocos e perguntas contidas na missiva do Irã. Nossa réplica não precisaria ser na forma de uma carta de resposta da Casa Branca. Poderia ser um discurso ou declaração de alguma alta autoridade. Mas deveríamos aproveitar a oportunidade de reafirmar nossos próprios pontos de vista sobre as questões levantadas pelo Irã e, tão importante quanto isso, sobre as questões de que o Irã não trata, incluindo o fato de que ocultou seu programa nuclear. Não podemos derrotar idéias ruins com o silêncio. Derrotaremos idéias ruins com idéias melhores. Esse é o desafio que enfrentamos e o que provavelmente enfrentaremos nos próximos anos.

Em seu novo livro, a sra. argumenta que religião e cultura deveriam contar em política externa e não serem descartadas como questões menores. 'A Al-Qaeda', a sra. escreve, 'não fala de maneira trivial - ela se preocupa com questões transcendentais de história, identidade e fé. Para sermos ouvidos, devemos tratar o assunto com a mesma profundidade.' Isso não seria uma grande mudança na visão triunfalista do Ocidente após a guerra fria de que agora tudo que importa é modernização econômica e liberdade política?

Uma das questões fundamentais aqui é como podemos deixar de ver o mundo por um prisma que já não reflete a realidade. Quando o governo Bush chegou ao poder pela primeira vez, disse ter reunido "a maior equipe de política externa da história". Isso valeria para o século passado. Eles nunca imaginaram que o século 21 seria diferente, que questões como identidade religiosa ou cultural teriam mais importância e uma posição arrogante poderia criar um antagonismo com o mundo. Não vivemos um choque de civilizações, mas uma batalha de idéias.

Quando digo que devemos tratar as questões com "a mesma profundidade" que a Al-Qaeda, as pessoas geralmente me olham com horror, como se, de alguma forma, eu a estivesse aprovando. Não. A Al-Qaeda é má por seu terrorismo. Mas, se eles fossem irrelevantes, se as suas ações não repercutissem em algum nível pelo mundo muçulmano porque eles relacionam sua fé num ser superior com justiça social, eles não teriam importância. Devemos reconhecer que eles estão abordando questões muito importantes e responder a elas neste nível. Se não tentarmos compreender de onde elas estão vindo, se não tivermos nossas próprias respostas para as questões que eles estão levantando, não iremos muito longe nessa batalha de idéias. Veja o que aconteceu com o Hamas. Eles foram eleitos porque nós oferecemos uma democracia abstrata, sem proporcionarmos nada que importasse de fato para a vida de muitos palestinos.
Se cultura e religião estão na linha de frente dos assuntos globais de hoje, isso põe os EUA num lugar ímpar por causa de nossa cultura popular de massa. Mesmo que a alma dos EUA seja uma espécie de híbrido religioso-secular, como diz o teólogo Martin Marty, Hollywood, e não a Igreja, é a face dos EUA para o mundo. Embora alguns a considerem glamourosa, muitos pais neste país ficam horrorizados com o secularismo, o materialismo e a permissividade da cultura pop americana com penetração mundial. Até o papa Bento XVI acusa a cultura global capitaneada pelos americanos de se basear somente em ego e desejo, sem uma dimensão espiritual. Assim, não se trata apenas de Ocidente secular x Islã, mas também de papa x Madonna, por assim dizer. Isso não tornará os EUA suspeitos como modelo para os que desejam uma cultura mais equilibrada?
Sim, isso dificulta muito aos EUA se colocarem como modelo, e o desrespeito do governo Bush pelas normas da lei internacional também não ajuda. Concordo que os EUA sejam um país excepcional, mas não deveríamos buscar exceções para nós mesmos. Não creio que tenhamos compreendido plenamente o impacto dos anos 60 sobre como nos vemos e como somos vistos por outros, especificamente no mundo islâmico, ou pelo papa Bento XVI. Este papa deixou muito claro que deseja combater o "relativismo de valores" dos anos 60, segundo o qual não existe o certo ou o errado. É claro que o absolutismo, o extremo oposto, não é uma boa coisa. De fato, os costumes dos anos 60 tiveram um grande impacto sobre como o mundo islâmico conservador, tradicional, vê os EUA. Isto está evidente. A face que mostramos é a de uma grande permissividade. Fico horrorizada sempre que vejo algum programa americano numa TV em Istambul ou no Cairo. O que essas pessoas devem pensar dos EUA? Isso realmente diminuiu nossa capacidade de nos apresentarmos como um modelo. O problema é que a modernização, como a globalização, não é algo que se possa parar. É preciso imaginar como mitigar as piores partes dela. Estamos tendo muita dificuldade para fazer isso neste momento porque não estamos em posição de promover o que é bom, porque há muita coisa negativa por aí. Posso entender perfeitamente que existam pessoas em Karachi que possam ficar ofendidas com os excessos da cultura de massa americana. Existe uma reação ao excesso de permissividade que vemos em nossa cultura.
Uma das novas realidade do século 21 é que a presença dos EUA no mundo não se manifesta só por suas embaixadas e empresas de aviação, mas por seus filmes, programas de TV e música pop. Isto deve ser levado em conta como um fato nas relações internacionais, porque a mensagem que eles transmitem podem se chocar com as normas de outras culturas.
Com certeza. Parte do que tem acontecido é que alguns aspectos dos EUA que as pessoas viram quando costumavam assistir séries como Dallas ou Dinastia se tornaram parte da revolução global de expectativas nascentes. A prosperidade retratada nesses programas criou tanto o desejo de ser assim como a inveja por não ser assim. Ela deixou clara a separação entre ricos e pobres do mundo. Agora, temos uma coisa diferente - violência, sexo e vulgaridade. Isso é algo que ofende as pessoas.
Para resumir: política externa já não diz respeito apenas a comércio e mísseis estratégicos. O fato de existir a globalização, que coloca todo mundo com valores às vezes incompatíveis numa mesma praça pública, necessariamente torna as relações internacionais de hoje tão ligadas a religião e civilização quanto tudo o mais. É isso?

Com certeza. E isso requer um conhecimento muito maior do mundo. Há uma quantidade incrível de informação disponível. A suposição é que, como a informação existe, exista também mais conhecimento. Mas isso não acontece. Religião e cultura são uma parte importante do discurso, mas há bem pouca compreensão entre nós. Entender a crença e as motivações de outros - e como essas crenças podem levar a conflitos com nosso modo de vida - hoje faz parte do jogo.

A entrevista, na integra, está no site do Estadão.

15.5.06

QUEM FINANCIA A VIOLÊNCIA DO TRÁFICO?

O trágico final de semana em São Paulo, quando criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital orquestraram o mais organizado, estratégico e violento ataque a instituições policiais, resultando em quase 60 mortos (no Iraque, nesse mesmo período, 14 pessoas morreram sob ataques), tomou conta do noticiário, aterrorizou as pessoas e trouxe debates sobre reestruturação do aparelho de segurança pública, mais preparo para o efetivo policial brasileiro, o papel do trabalho de comissões de direitos humanos e a responsabilidade das autoridades públicas no comando da segurança brasileira.
Em meio a fatos tão graves, um fator de extrema importância vem sendo colocado no rodapé dos debates: o papel do narcotráfico para esse estado de poder paralelo do crime organizado.
O uso de drogas é a fonte de financiamento do crime organizado. E existe uma certa leniência, um esforço político mínimo, para deflagrar campanhas contra o uso de maconha ou outras drogas consideradas "leves". Mostrar à sociedade brasileira que aquele "baseado", que muitos julgam inocente, está por trás dessa competente rede criminosa, faz parte desse grau de violência que assusta a todos. O irônico é que vez ou outra o noticiário relata casos de pessoas famosas e influentes, que muitas vezes protestam contra esse estado de coisas e oferecem a imagem para pedir paz, sendo flagradas com pequenas porções de drogas, para uso próprio, esquecendo de que por trás desse consumo está todo um aparelho criminoso.
As igrejas desempenham o importante papel de orientar contra os males do uso de drogas, de como elas fazem mal ao corpo e à mente. Com muita freqüência, leio notícias de jovens que saem às ruas manifestando-se contra as drogas. Pois bem, eis aí mais um mote a ser acrescentado às campanhas: as drogas financiam a violência e o crime. De certa forma, elas estão por trás dessa onda de terror que chocou o País. Mais do que nunca, é preciso bater de frente contra o uso delas; governos precisam fazer campanhas mais claras e combativas contra elas, como forma de minimizar a violência, um dos maiores problemas sociais brasileiros.
Crédito da imagem: André Porto/FI

14.5.06

LIBERDADE RELIGIOSA NA BOLÍVIA

Instituições ligadas à defesa do direito de liberdade religiosa precisam estar atentas ao que acontece na Bolívia no momento. Os ideais alicerçados no autoritarismo de esquerda do presidente Evo Morales podem atingir a liberdade de crença na Bolívia, e já existem rumores de que o governo pode se apropriar de templos dirigidos por pastores estrangeiros, como informa esta notícia do site ElNet.

Em entrevista ao site, um missionário disse temer que o decreto dado por Evo Morales, expulsando brasileiros donos de terras bolivianas em regiões de fronteira, se estenda também aos missionários. “O clima é de tensão e nunca se sabe o que poderá nos acontecer”, disse.
O teor da reportagem é bastante especulativo, mas não custa autoridades religiosas, como a Irla, estarem atentas para conversar com o governo boliviano, caso necessário, assegurando o direito dos missionários de exercerem seu ofício em terras daquele país.

12.5.06

CELEBRANDO A AMIZADE

Jeziel Carvalho é jornalista cristão em Recife, Pernambuco. É também autor de um post, em seu blog, que me comoveu bastante, e me fez pensar sobre como tenho cuidado dos amigos, que vão surgindo na vida da gente e nem sempre reconhecemos seu devido valor.
Cita o caso de dois personagens maiúsculos da política brasileira e, em especial, pernambucana: o ex-senador Carlos Wilson e o ex-governador Jarbas Vasconcelos. Amigos durante mais de 20 anos e, até o fim do ano passado, afastados por conta da guerra que é a conquista e manutenção de um mandato. Viraram adversários ferrenhos na disputa pelo poder. Críticas ácidas, declarações duras, dedos em riste. Uma vez vestidos de caçadores de votos, nada mais parece ter valor. Em nome do voto, se cometem as maiores barbaridades. Esquecer os verdadeiros amigos é uma delas. E, muitas vezes, não dá mais tempo de fazer o caminho de volta.
No final do ano passado os dois fizeram as pazes. Uma doença fez Carlos Wilson perceber que existia coisa mais importante do qualquer cargo ou disputa. No aniversário, chamou Jarbas pra um almoço na casa dele e Jarbas foi. Na reconciliação, cada um que quisesse contabilizar mais erros do que o outro. Emocionados, preferiram celebrar a vida ao poder.
A frase final de Carlos Wilson resume o que interessa: "Já ganhei e perdi muita coisa. Mas se tem uma que eu não admito perder mais são as amizades que venho acumulando ao longo da vida. Aprendi que essas são inegociáveis".
De imediato, percebo o quanto a vida é cruel ao nos afastar desse bem tão precioso, os amigos. Quantas vezes sorri, chorei, sonhei, vivi, me frustrei junto com um grande amigo, desses que mais parece um irmão, como diz o provérbio bíblico. E é pensando neles que agradeço a Deus o privilégio que Ele concede em colocar pessoas maravilhosas ao longo de nosso caminho. A Joaldo, Gilberto, Evaristo, Isaías, George, César, Patrícia, Bernardo, Marcelo, Washyngton, Angelo, a amigos de perto e de longe, muito obrigado.

9.5.06

Fé Daslu

Em mais uma prova cabal do quanto o cristianismo está integrado à sociedade de consumo, duas designers americanas criaram uma bolsa em formato de bíblia, informa este site. A bolsa tem capa de couro e a inscrição em letras grandes “The Bible”.

Embora tenha aparência formal, dentro da bolsa há um compartimento extra em que está escrito “Confessions” (confissões), um porta-níquel escrito “Pennies from heaven” (centavos do céu), e ainda traz um batom vermelho e espelho embutido, para que as “devotas” não descuidem do make up. O mimo custa 495 dólares.

8.5.06

O DESESPERO QUE PROVOCA MUDANÇAS

O jornalista Angelo Manassés me envia a informação de que o pivô da crise do mensalão, Maurício Marinho, está freqüentando uma igreja evangélica. Marinho era chefe do Departamento de Contratação de Material dos Correios quando foi filmado recebendo dinheiro de arapongas e levando-o ao bolso, numa cena que desencadeou a maior crise da República brasileira.
Em entrevista a uma revista gospel, ele disse que decidiu tornar-se evangélico porque estava "desesperado". A crise política brasileira ganha fôlego com recentes declarações do ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, sobre os bastidores do esquema de arrecadação montado pelo partido do governo federal.


APARTHEID SÓCIO-RELIGIOSO

Um estudo inédito sobre a perda de fiéis pela Igreja Católica na última década promete sacudir a assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici (SP), a partir da terça-feira 9. Religião e sociedade em capitais brasileiras, um ensaio de 250 páginas de Cesar Romero Jacob e Dora Rodrigues Hees, da PUC-Rio, e dos franceses Philipe Waniez e Violette Brustlein, aponta para um apartheid sócio-religioso nas cidades e mostra como o catolicismo perdeu terreno nas periferias das regiões metropolitanas. Católicos são sólida maioria nas áreas ricas e evangélicos pentecostais crescem nos cinturões pobres, chamados de “anéis pentecostais”.
No período entre 1991 e 2000, o número de católicos diminuiu 10% em São Paulo – mesma média nacional –, caindo para 68% da população. No Rio de Janeiro, a perda foi de quase 9%. A maior migração ocorreu em Manaus, que viu 16,8% de seus fiéis irem embora. A cidade “menos católica” é Goiânia, onde eles encolheram de 74% para 61% do total. A menor queda aconteceu em Porto Alegre, onde 5,9% dos católicos converteram-se a outras religiões. A capital onde há proporcionalmente mais católicos é Teresina, quase 87% da população. Eles dominam as áreas centrais, onde não há propensão a se mudar de religião. Em São Paulo, bairros abastados foram pouco afetados pela onda pentecostal, que representa menos de 5% da população. Mas na periferia a disponibilidade para trocar de religião é maior. Em Guaianazes, na zona leste da cidade, os católicos não passam de 40%. No Rio de Janeiro, apenas 61% se dizem católicos na capital e 48,7% na região metropolitana. Em bairros litorâneos, eles variam de 65% a 77%. Na Baixada Fluminense, não passam de um terço da população.
O vácuo deixado pela Igreja é reflexo da baixa presença de paróquias nas periferias. O alto custo e a longa duração da formação de padres estariam dificultando a ação nas regiões. Do outro lado, os evangélicos instalam ali seus templos e arregimentam “obreiros” na comunidade. “Os desafios estão nas periferias”, afirma o arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, no prefácio do livro que condensa o estudo. “Obriga-nos a reorientar a ação evangelizadora em direção a elas.” É o reconhecimento do novo campo de batalha.

Revista Isto é
PS: A notícia provoca reflexão também para igrejas evangélicas tradicionais, paradas no tempo, longe da efervescência sugerida pela reforma protestante. Sem planos de ação bem definidos, sem uma estratégia missionária clara, essas igrejas limitam-se a questionar o avanço pentecostal, que realizam um trabalho legítimo de evangelização na periferia, sendo, muitas vezes, a única instituição para quem os pobres podem recorrer. Entre as igrejas tradicionais, a Igreja Adventista se destaca por ter um plano missionária bem definido, que envolve assistência missionária e projetos de desenvolvimento social, junto com programas mais assistencialistas. Com organização e muito trabalho, os adventistas crescem em torno de 25 mil novos adeptos no Nordeste, a cada ano, segundo dados da instituição. Assim como outras igrejas evangélicas, no entanto, o desafio é ter uma proposta de como evangelizar a classe média alta brasileira, com o estigma que foi criado sobre o trabalho do movimento evangélico latino-americano.

7.5.06

COMO NASCEM OS CHARLATÕES

Assisti há pouco a estréia de uma série, no "Fantástico" da Rede Globo, que promete dar o que falar. O quadro "Operação Bola de Cristal" usa um ator treinado no papel de paranormal para, segundo o programa, "desmascarar falsos videntes". Logo no começo do quadro, narrado pela voz inconfundível de Cid Moreira, o ator Osvaldo Mil está se preparando para iniciar uma palestra com um grupo de 40 pessoas, convidadas pelo programa para uma experiência com um vidente, sem falar qual a proposta real do programa, nem que o Osvaldo Mil é um ator.
Orientado pelos consultores, um mágico e um psicólogo estudioso da paranormalidade, o ator aprende a aplicar a técnica usadas pelos charlatões, conhecida como "leitura fria". Ela permite que Osvaldo conduza a conversa de modo que as pessoas pensem que ele tem poderes paranormais, de adivinhação. O ator, que assume o nome de Angelo, e orientado pelos especialistas, que o acompanham via ponto eletrônico, usa leituras de gestos das pessoas, posturas corporais, tom de voz e até mesmo informações soltas ditas pelas pessoas para criar um perfil possível. O resto fica com as pessoas, que passam a concordar com o falso vidente.
A série me chamou a atenção por mostrar, de um modo até triste, como as pessoas estão vazias e carentes de um sentido para a própria vida, e de que modo esta circunstância é um terreno fértil para pessoas que exploram essa fragilidade com promessas de riqueza, de trabalho, de relacionamentos sólidos, enfim, desejos arraigados no coração das pessoas. A Bíblia tem uma postura contundente a respeito deste assunto: "Não vos voltareis para os necromantes, nem para os advinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles", está escrito em Levítico 19:31.
As Escrituras Sagradas, que contêm orientações seguras e capazes de preencher o vazio humano, apontam o caminho para que as pessoas encontrem felicidade. "Buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas", aconselhou Jesus conforme está escrito em Mateus 6:33. O problema é que, a despeito da segurança oferecida pela Palavra de Deus, as pessoas preferem ser enganadas, como mostrou a jovem no programa que, mesmo depois de anunciada a fraude, afirmou que preferia acreditar que editores e produtores eram os charlatões, e não o ator que personificou o papel de vidente.

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Engolido pela nacionalização do gás e do petróleo da Bolívia pelo presidente Evo Morales, o julgamento do jornalista Pimenta Neves e a greve de fome de Anthony Garotinho, assuntos que dominaram as manchetes dos meios de comunicação na semana passada, um exuberante esforço do jornalismo pernambucano passou praticamente em branco, sem trazer a reflexão que merece sobre as razões para o crescimento da violência no Brasil e os meios reconhecidamente ineficazes de combatê-la. Trata-se da reportagem especial do Jornal do Commercio mostrando como a cidade colombiana de Bogotá, dez anos atrás uma das mais violentas do continente, está conseguindo vencer a guerra contra a criminalidade.

As ações do governo municipal para vencer a criminalidade não compõem soluções mágicas, nem uma repressão na medida em que foi feita em Nova Iorque com o prefeito Rudolph Giulliani, autor da famosa e polêmica lei de tolerância zero. Bogotá consegiu virar o jogo ao tomar ações em áreas diversas como educação, infra-estrutura, investimento cultural, redução de burocracia e, claro, investimentos em segurança pública.
Como se vê, nem todas as medidas estão diretamente ligadas à polícia. Alguns exemplos:
1. Cartões cidadãos. A prefeitura distribuiu cartões brancos e vermelhos com a população. Os brancos tinham uma mão com um polegar para cima indicando aprovação. Os vermelhos, com o polegar apontando para baixo, eram mostrados como repreensão a quem exercesse alguma atitude infratora. Uma medida simples, mas que funcionou como uma campanha de conscientização da população para o problema, uma forma de envolver a todos na solução, já que boa parte das ações violentas acontecem em função de descontroles no trânsito.
2. Mímicos e faixas de pedestres. Grupos de mímicos foram contratados para ensinar a população a usar a faixa de pedestre. A presença dos artistas nas ruas teve enorme repercussão e ajudou os moradores de Bogotá a tornar o trânsito menos agressivo (O Governo de Pernambuco criou ação parecida, ao colocar nas ruas os "palhacinhos do Detran", simpáticos arte-educadores que passaram a orientar as pessoas sobre a boa convivência no trânsito, com resultados extraordinários).
3. "Vacinação" contra a violência. Psicólogos da Secretaria da Saúde promoveram uma espécie de "divã" público, onde as pessoas extravasavam a raiva em um boneco, por exemplo, ao mesmo tempo em que eram orientadas a controlar impulsos violentos.
4. Intermediação de conflitos. Foram criados os "Mecanismos Alternativos de Resolução de Conflitos (Marcs)". ofereciam equipes de conciliadores, juízes de paz e unidades de mediação que resolviam conflitos entre vizinhos e parentes sem a necessidade de um processo judicial.
5. Todos os motoqueiros de Bogotá precisam usar coletes e capacetes com o número da placa do veículo escrito. A medida serviu não só para facilitar a identificação da vítima em caso de acidente, mas, principalmente, reduziu a quantidade de crimes praticados por motociclistas.
6. Todos os bares e restaurantes de Bogotá eram fechados à 1 hora da madrugada. Hoje, a lei só continua valendo nos bairros mais violentos.
7. Desarmamento voluntário. A prefeitura incentivou os bogotanosa entregar suas armas.
Além dessas medidas, houve investimento na qualificação policial, no uso da tecnologia e no pragmatismo dos processos criminais.
O resultado é supreendente. Em dez anos, Bogotá saiu de uma taxa de 57 homicídios para cada 100 mil habitantes para níveis de 23 homícidios por 100 mil habitantes, em 2005. Para efeito de comparação, em 1996, Recife e Bogotá tinham a mesma taxa de homicídios. Hoje, depois do plano de ação da gestão municipal, Recife passou a ter índices de assassinatos três vezes maiores que o da cidade colombiana. Bogotá também assistiu a redução de assaltos e de roubos de veículos. É preciso considerar que tudo isso aconteceu sem que houvesse eliminação de um antigo problema colombiano, as milícias armadas da direita colombiana e o exército paramilitar, de ideologia socialista, das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
A reportagem foi publicada pelo Jornal do Commercio no último dia 30 de abril, um domingo. É um estudo interessante, que pode ajudar futuros postulantes a cargos públicos a incrementar projetos para a segurança pública. Segmentos sociais interessados no assunto, como as igrejas (a Igreja Adventista tem uma campanha maravilhosa de conscientização contra a violência e o abuso nas famílias), podem analisar o texto para pontuar ações concretas de combate à violência.

5.5.06

A DIETA DO CÉREBRO

Sua alimentação pode ter impacto direto em sua saúde mental e, conseqüentemente, na sua produtividade profissional. Pelo menos é o que sugere uma pesquisa realizada pela Fundação Mental Health, no Reino Unido, relacionando o crescimento de distúrbios psicológicos (como depressão e hiperatividade) às mudanças da nossa alimentação nos últimos 50 anos. O estudo -- que compilou material de outras investigações na área, uma pesquisa qualitativa com mais de 2 000 adultos e entrevistas com especialistas -- avaliou os hábitos alimentares do cidadão britânico e descobriu que ele é um pacote ambulante de aditivos químicos. Ele sugere, entre outras medidas, a adoção de maior quantidade de alimentos orgânicos, frutas e verduras em grande quantidade.
Para ler a reportagem completa, no site da revista Você S/A, clique aqui.

ADORAÇÃO CLANDESTINA

Em Cuba, existem mais Bíblias do que cristãos, segundo essa notícia. Mesmo que se identifique como um país ateu, ao longo do ano foram distribuídas na ilha mais de 87 mil exemplares da Bíblia, número que supera a membresia das igrejas.

Em algumas localidades do interior do país a população reclama que os exemplares não lhes chegam às mãos, informou o pastor batista José López, do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC).

A relação de textos cristãos que circularam em Cuba desde janeiro deste ano soma mais de 178,1 mil exemplares do Novo Testamento, 504 mil porções bíblicas, 992 mil folhetos, 2,5 mil exemplares de revistas, incluindo "A Bíblia nas Américas", e dois textos de literatura cristã variada, revelou López.

O país é notoriamente governado sob regime autoritário, a exemplo da China, que deu de ombros ao Vaticano e ordenou seus próprios bispos, para assumirem paróquias controladas pelo Estado.
Por viver em um país como o Brasil, cuja democracia vai sendo consolidada, mesmo que lentamente, muitas vezes ficamos sem noção sobre como é viver sob cerceamento da liberdade. Os cristãos chineses sabem exatamente o que isso representa. Na China, um país com uma economia reluzente, existem mais de 10 milhões de cristãos adorando na clandestinidade, enquanto 5 milhões são adoradores reconhecidos, mas rezam pela cartilha do Estado chinês. Aos clandestinos, quando descobertos, a sentença é a prisão por desobediência civil.
Felizmente, existe um esforço para fazer valer o direito à crença religiosa. Ontem, 4 de maio, aconteceu um jantar em favor da liberdade religiosa, no Senado dos Estados Unidos, promovido pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa (Irla), em parceria com a revista Liberty. O evento girou em torno das discussões sobre a relação igreja-estado, segundo informações da ANN (Agência Adventista de Notícias).
O encontro acontece com freqüência. A senadora Hillary Clinton foi a oradora nos últimos anos, além do Senador Sam Brownback, do congressista Christopher Smith, do capelão do Senado dos EUA, Barry Blac, do Embaixador dos EUA para a área de Liberdade Religiosa Internacional, John Hanford, e do embaixador Robert Seiple, o primeiro embaixador para Liberdade Religiosa Internacional.

A finalidade do jantar é proporcionar um fórum para que líderes nacionais apresentem suas idéias sobre como a igreja e o estado devem relacionar-se nos Estados Unidos, assim como a sua visão no combate à perseguição religiosa.
Por viver sob uma constituição que protege direitos de expressão religiosa, muitas vezes me pergunto que contribuição os brasileiros podem dar a este debate. Talvez um bom começo seja buscar informação. Saber as implicações políticas por trás do impedimento das expressões básicas do ser humano. Como cristãos, nossa vocação é ser "sal da terra" e "luz do mundo", mas essa tarefa fica comprometida quando cedemos, ingenuamente, ao obscurantismo.

DICA CULTURAL

O jornalista Michelson Borges estende os serviços do seu blog para uma competente sugestão de filmes que valem a pena ser vistos. Confira aqui e vá bem-informado à locadora mais próxima.

3.5.06

O PODER DA FÉ

Em tempos de ceticismo, nada mais agradável do que ler esta matéria de um jornal de Campinas: Enfermeira ora e arma de ladrão falha em tentativa de assalto.

UM EVANGELHO, VÁRIAS PERCEPÇÕES


Na semana em que uma agência de notícias distribuiu uma reportagem sobre a ex-stripper Heather Veitch, que largou a nudez para pregar sobre a fé cristã, para a qual havia se convertido, a revista Veja, a mais importante publicação semanal de informação do Brasil, trouxe na capa uma representação do pré-candidato evangélico a presidente da República, Anthony Garotinho, como um ícone das mazelas da política nacional, na opinião da revista.

Heather Veitch, segundo a reportagem da Agência France Press, abandonou o submundo da indústria do sexo em Los Angeles para transformar-se em uma pregadora do Evangelho. Hoje, ela vai a clubes noturnos atrás de dançarinas, para quem fala sobre Jesus e convida a experimentar o Cristianismo. Algumas aceitaram a conversão, o que levou a formação de um inusitado movimento cristão naquela cidade.

A história de Heather Veitch foi publicada em alguns sites e jornais, mas está longe de alcançar a visibilidade dos fatos que cercam Garotinho, especialmente depois de uma surpreendente greve de fome em protesto contra as denúncias que vem recebendo. Infelizmente, a cobertura sobre o pré-candidato do PMDB resvala de modo nem sempre implícito na causa evangélica. Esta é mostrada, nessas ocasiões, de forma estereotipada. A começar pela capa da Veja, tem-se a intenção de ironizar a convicção cristã de Garotinho, uma das bandeiras levantadas por ele em campanha. A revista publicou uma foto do ex-governador do Rio de Janeiro com a chamada “Os 7 pecados capitais da política”. Sobre a foto do político, desenhou chifres e cauda típicos da figura representativa do diabo.

Apesar de a reportagem evitar associar as atitudes do candidato com sua fé evangélica, os artigos assinados, em especial a coluna de André Petry, exploram o assunto com veemência. Petry chega a afirmar que sobre as ações de Garotinho está um manto de “populismo evangélico”.

Evidente que não se pode esperar dos meios de comunicação uma cobertura decente do mundo evangélico. Não vai haver uma apuração mostrando que, para cada mau exemplo que venha a explodir, existem dezenas, centenas de Heather Veitch, pessoas que saíram de uma vida vazia para a plenitude que só uma vida em Cristo pode oferecer. Assim como dificilmente a revista usaria a “brincadeira dos chifres” se o personagem em questão fosse um militante católico, por exemplo.

Por outro lado, o fato convida para uma análise fundamental sobre o papel dos evangélicos envolvidos na política – especialmente sob a forma com que ela vem sendo exercida atualmente. Ser um candidato evangélico é expor em uma vitrine os fundamentos do Cristianismo. E, nesse caso, o fator religião vai ser sempre lembrado. Se para o bem ou para o mal, vai depender da postura do candidato e do testemunho que ele venha a dar para uma opinião pública materialista e secularizada como a que temos hoje.

A IGREJA E O "AUTORITARISMO" DE EVO MORALES

O jornal britânico Financial Times é uma espécie de porta-voz da democracia dos mercados financeiros internacionais. Não se tem, aqui, a imparcialidade preconizada pelo princípio jornalístico. Dito isso, serve para reflexão a notícia publicada na edição de ontem sobre a nacionalização das reservas de gás na Bolívia anunciadas pelo presidente do País, Evo Morales. Para o Financial Times, a medida é uma mostra de que o líder boliviano está “cada vez mais autoritário”.

Morales fez um previsível e até anunciado jogo duro com o mercado de exploração do gás natural boliviano. De forma simplista, é possível dizer que o governo boliviano confiscou contratos de empresas de vários países, entre elas, a Petrobras, no valor de mais de R$ 1 bilhão. Para a Petrobras, até então sócia do governo boliviano, a exploração virá sob pagamento de tributo que ultrapassa 80% do valor da exploração. Trata-se de uma medida que, de certo modo, terá impacto na vida e no bolso dos brasileiros, a curto, médio e longo prazos.

As críticas do Financial Times são pontuais. Afirma que Morales tem promovido uma política de “atirar primeiro e perguntar depois”. Cita o fato de que o presidente boliviano expulsou do país a siderúrgica brasileira EBX por supostamente “ferir regras ambientais”, sem dar à companhia a chance de se defender. Divulga críticas da Igreja Católica, que ataca o uso de “força bruta e de pressão”, por parte do governo de Morales.

Além do jornal britânico, o diário espanhol El País acrescenta que as medidas anunciadas pelo líder da Bolívia “não estão adaptadas nem ao mundo de hoje nem às necessidades de um país com economia tão desesperadamente precária como a da Bolívia”.

Este blog nutre certa simpatia pela doutrina do Estado Mínimo, teoria do século XVIII, criada pelo economista inglês Adam Smith. São dois os motivos principais: por acreditar que ao Estado cabe cuidar do bem-estar social, oferecendo políticas de saúde, educação e segurança para a população e deixando as empresas para quem de fato sabe cuidar delas: os empresários. A outra razão envolve princípios religiosos. À medida que um governo começa uma escalada autoritária, as liberdades ficam fragilizadas. Inclua-se aí a liberdade religiosa, fator fundamental para a evangelização mundial comum à missão cristã nos dias de hoje. Ao tornar-se autoritário, um governo pode interferir na disseminação da mensagem cristã, proibindo cultos, construção de igrejas e mesmo que pessoas propaguem a fé. Casos desse tipo ocorreram e ainda ocorrem, por exemplo, em países como China e Cuba.
Estar informado sobre isso é dar um passo importante para cobrar dos governos liberdade de culto. Além disso, o Cristianismo trabalha com a liberdade humana, dando-lhe um novo significado. Eis, portanto, mais uma evocação ao serviço cristão na sociedade contemporânea.

BLOG NO DIARIO DE PERNAMBUCO

Este blog estende seu agradecimento ao jornalista Ângelo Manasses, autor da coluna Graça & Paz do Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina e um dos mais importantes do País. Manassés divulgou Parajornalismo em sua coluna, e publicou o endereço.

Se você é de Pernambuco, acompanhe a coluna Graça & Paz aos sábados, na editoria de Vida Urbana. Se você é de outro Estado, vale procurar o Diario em sua localidade e ler esta coluna. Pelo fato de ter aberto espaço tão importante para o jornalismo evangélico na grande mídia, Manasses já merece o respeito e mostra ser alguém cujo labor jornalístico vale a pena acompanhar.

MUDANÇAS EM PARAJORNALISMO

Simpático ao design anterior, este blog muda com a proposta de tornar-se mais funcional, de modo a oferecer um melhor serviço aos leitores. Agora, as letras são maiores, e o espaço acaba sendo melhor distribuído.

A mudança provocou algumas alterações, especialmente nos links de sites e blogs que Parajornalismo considera importantes. Em breve, tudo estará solucionado.

Dentro de mais alguns dias, outras novidades vão ser anunciadas por aqui.