30.4.06

Esporte combina com evangelização

Dá para fazer missão com esporte? A Igreja Luterana Costarriquense (ILCO) entende que sim. Incentivou o programa Futebol pela Vida e está em plena sintonia com a compreensão missionária definida pela Federação Luterana Mundial (FLM).

A missão da Igreja engloba três aspectos básicos - anúncio da Palavra, serviço (diaconia) e advocacia dos mais fracos na sociedade - que fazem parte do Evangelho, frisou o pastor norueguês Kjell Nordstokke ao analisar o documento da FLM sobre o tema para líderes luteranos do Caribe e da América Latina .

Mais notícias no site da ALC.

28.4.06

Mídia discute crise da Religião na Europa

Inúmeras igrejas católicas e protestantes podem ser obrigadas a fechar suas portas na Alemanha por falta de contribuições financeiras de seus fiéis. Entre 2001 e 2002, mais de 400 mil alemães retiraram seus nomes dos registros das dioceses e apenas quatro milhões de pessoas continuam indo às missas.
Alguns culpam a desaceleração da economia e o desemprego pela redução de fiéis contribuintes. Outros acreditam que é o número de adeptos ao catolicismo e ao protestantismo que está diminuindo.
Por conta disso, o site da BBC Brasil criou um fórum para discutir: Por quê as chamadas religiões tradicionais estão perdendo fiéis na Europa? Será esta uma tendência mundial? No domingo, um especialista em religião vai responder dúvidas sobre o tema. Quem quiser participar, clique aqui e mande sua pergunta.

27.4.06

"Guerra Santa" desprestigiada

Em uma clara demonstração de que o Islamismo e a Al-Qaeda não falam a mesma língua, o governo do Sudão e o Hamas refutaram um suposto apelo de Osama Bin Laden para que o Sudão e outros países muçulmanos realizem uma guerra santa contra o Ocidente.
A notícia é do site BBC Brasil. Nela, um porta-voz do Hamas, grupo político-militar de defesa da causa palestina, tentou se distanciar da mensagem, dizendo que a ideologia do grupo era completamente diferente da do líder da Al-Qaeda.
O governo do Sudão também se manifestou. "O Sudão não tem nada a ver com essas declarações", disse o porta-voz do ministério do Exterior.
Enquanto isso, o jornal Los Angeles Times aprofunda a questão que vale a pena ser discutida. Em editorial, o jornal faz referência ao que interpreta como a perda da eficácia do islamismo radical e o declínio de militantes que advogam atos violentos em nome dos ideais muçulmanos, como o líder da Al-Qaeda. Segundo o diário, a “mensagem obscurantista” pregada por Bin Laden, como a de convocar uma nova frente de batalha no Sudão, deixa de levar em conta que "muitos dos que estão sendo massacrados no país são muçulmanos".
Por fim, o LA Times comenta que o islamismo radical é uma "globalização para perdedores, que atrai os que foram deixados de fora da modernidade, da industrialização e da prosperidade, em especial jovens".
Aqui, especialmente, fica uma mensagem clara para quem trabalha com jovens, sobre a necessidade de oferecer perspectivas para a inclusão social dessa massa humana. Uma juventude sem vislumbrar futuro, está provado, cai fácil nas sendas do mal, vide o envolvimento de jovens e adolescentes brasileiros com o tráfico de drogas. As ações têm que ser pontuais, e não devem ficar apenas nas mãos de governos. Igrejas e toda a estrutura de propostas que elas oferecem são bem-vindas nesse diálogo de extrema importância para o futuro dos jovens modernos.

A fé como um big mac

O filósofo Theodor Adorno, precursor do termo indústria cultural, dizia que a cultura ocidental a tudo confere um ar de semelhança. Gostava de afirmar que o homem que crê em uma verdade está a um passo de impor seu ponto de vista aos demais.
Segue então uma defesa do relativismo, combustível para um tipo de cultura descartável, alimentada pelos meios de comunicação de massa, onde não há espaço para verdades absolutas. Tudo é abstrato, e tudo deve ser digerido como se fosse um Big Mac.
Talvez o conhecimento dessa postura, base essencial para reflexão sobre os comportamentos e valores da sociedade contemporânea, explique algo como esse reality show que busca provar a fé de quatro jovens seminaristas católicos.

26.4.06

Criatividade de Guerrilha


Você está passeando tranquilamente pelo shopping. De repente, é abordado por uma simpática jovem, aparentemente vendedora de loja de cosméticos, que lhe dá uma tirinha de papel. Passa pela sua cabeça que se trata de uma nova marca de perfume. Instantaneamente, curioso que é, você leva a tirinha até o nariz. E então...

Então o que você sente é um cheiro horrível. Você olha até certo ponto assustado para o papel, e lê algo como: "É assim que você cheira quando fuma. 4000 substâncias químicas tóxicas deixam um fedor que nenhum perfume pode mascarar. Pergunte para as pessoas ao seu redor. Por favor, pare de fumar. Você terá um cheiro melhor imediatamente. Ligue 1800 438 2000)".

Essa é uma campanha que está acontecendo no exterior, conforme este blog sobre publicidade. A idéia é maravilhosa. O resultado é incontestável.

E ficamos aqui pensando que um dia toda a inteligência humana foi usada unicamente para o bem.

25.4.06

Uma Semana sem Televisão


Recebi um e-mail do jornalista e professor Ruben Holdorf, da Universidade Adventista de São Paulo, pedindo apoio na divulgação da Semana Mundial Desligue a TV, que vai de 24 a 30 de abril. O teor do protesto é conscientizar as pessoas para mais qualidade e ética na programação das emissoras.

O programa é uma iniciativa da ONG britânica TV Turnoff Network. No Brasil, faz parte de um grupo chamado “Ética na TV”, que avalia o conteúdo de nossa televisão. No site do projeto brasileiro, existem alternativas a esta semana sem televisão, e não são poucas.

O brasileiro é hoje o campeão do mundo em tempo gasto assistindo televisão. Ele assiste em média 5 horas por dia. As crianças assistem mais de 4 horas de televisão por dia. A única coisa que a criança brasileira faz mais do que assistir televisão é dormir. Os riscos dessa televida são conhecidos: vão desde a obesidade até a erotização precoce.

A preocupação é pertinente, e merece todo o apoio. O Canal da Imprensa, revista eletrônica ligada à universidade, traz material interessante sobre o assunto. Inclusive uma entrevista com o advogado Marcos Nisti, mestre em Economia pela USP e representante para o Brasil da ONG TV Turnoff Network. Ele é coordenador da Semana Desligue a TV.

Documentário afirma ter provas do Êxodo bíblico

Com tantos ataques desferidos pela cultura pop a tudo que lembre religião, é um deleite saber que um formador de opinião produziu um documentário confirmando um fundamento bíblico.
Trata-se do documentário Exodus Decoded (Êxodo Decodificado), produzido pelo cineasta canadense Simcha Jacobovici, que afirma ter encontrado provas de que o Êxodo de Moisés, ocorrido há mais de 3 mil anos, realmente existiu.
Dentre as provas encontradas por Jacobovici está uma miniatura em ouro da Arca da Aliança, construída pelos hebreus durante os 40 anos no deserto do Sinai. O filme de duas horas contou também com a produção do cineasta James Cameron (“Titanic”). Foi ao ar no domingo de Páscoa pela rede Discovery Canadá.
O vídeo não tem perspectivas de estrear no Brasil. Quem quiser conhecer mais sobre o projeto pode acessar esse site, em inglês.

23.4.06

Revolução para o século 21

Estou de volta a Recife e a este blog, depois de uma reveladora viagem a Fortaleza, Ceará, e Salvador, Bahia. Passei a semana nessas duas cidades, gravando para um vídeo de capacitação em Pequenos Grupos, a ser lançado ainda este semestre pela Igreja Adventista no Nordeste. Estou trabalhando nesse projeto há dois meses, e comecei as gravações em Fazenda Nova, onde existe a Nova Jerusalém, cidade-cenário onde todo ano acontece o espetáculo Paixão de Cristo, uma das atrações turísticas de Pernambuco.
A idéia é mostrar como os pequenos grupos foram importantes para a igreja cristã primitiva, e o que a igreja contemporânea pode aprender dessa experiência. Para tanto, contamos com os cenários de época de Fazenda Nova, além do figurino usado no espetáculo, para compor a parte mais documentária do vídeo.
Em Fortaleza e Salvador, gravei depoimentos de como os pequenos grupos têm consolidado um novo estilo de vida no Nordeste. Foram experiências díspares e complementares. Em Fortaleza, gravei pessoas que vivem no meio rural, longe de tudo o que a agitação urbana pode oferecer, inclusive acesso irrestrito a informação. Neste ambiente, onde o ritmo da vida é obviamente mais lento, os pequenos grupos ajudam na consolidação da família, na unidade e crescimento da igreja. As pessoas são mais tímidas, mas demonstram vigor e empatia impressionantes quando estão evangelizando. Quando perguntadas sobre como conseguem essa performance para falar do Evangelho, elas atribuem ao fato de, nos pequenos grupos, aprenderem a ficar mais desembaraçadas. Há uma idéia de preparação para assumir postos de liderança, o que claramente é uma das propostas dos pequenos grupos.
Já na capital baiana, os depoimentos vieram do bairro do Cabula, uma área pobre de Salvador. Neste lugar, existe o que considero uma das mais sólidas experiências em pequenos grupos do Nordeste. Conheço o que acontece por lá há 8 anos, e é maravilhoso perceber a capacidade de integração das pessoas que o projeto de reunião nas casas proporciona. As pessoas assumem um papel de liderança que antes sequer imaginavam. Quem participa dos pequenos grupos acaba sendo uma peça na engrenagem da igreja: cantam, ministram palestras, cuidam da recepção.
Mas a idéia comunitária é muito forte. Para os líderes de Cabula, convidar o vizinho para uma partida de futebol com os membros da igreja é uma ação missionária. Freqüentemente, realizam encontros com café da manhã, onde convidam amigos e vizinhos para uma conversa, brincadeiras, momentos de descontração em grupo. Já nas assembléias, o programa é mais incrementado. O último deles aconteceu em um auditório de universidade, e reuniu mais de 500 amigos da igreja.
Não é à toa que, todo mês, acontecem batismos, demonstrações públicas de que a pessoa deseja um novo estilo de viver, conforme proposta do pequeno grupo. Essa cerimônia batismal acontece, mês a mês, há 8 anos.
A estratégia foi adotada por um trio intelectualizado, politizado, questionador, que reuniu informação, desejo de fazer o melhor e um claro senso missionário para lançar na igreja o programa de pequenos grupos. Esse trio faz parte de uma mesma família: Ademar, que começou todo o projeto; Álvaro, um líder nato, e Lázaro, professor universitário com opiniões interessantíssimas sobre o papel dos pequenos grupos na auto-estima dos participantes. Conversando com os três, pude perceber o caráter revolucionário dos pequenos grupos, que vai além do caráter religioso: proporciona, de modo eficiente, inserção social, e chega mesmo a ser um projeto para livrar pessoas das drogas, ou do alcoolismo, por exemplo, ou mesmo da violência doméstica.
O vídeo vai se chamar Nos tempos de Jesus - História e Prática dos Pequenos Grupos. Deve ser lançado entre junho e julho, e desde já acredito ser um dos melhores trabalhos lançados pelo Centro de Mídia e Comunicação da Igreja Adventista no Nordeste.

Jovem gosta é de autoridade

O jornalista Silóe de Almeida, que é também pastor adventista, disse certa vez que os jovens gostam de alguém que saiba usar autoridade, diferente do senso comum que apóia a idéia de rebeldia juvenil, aquela que não escuta ninguém, não respeita hierarquia e demonstra uma tenedência para a marginalidade. Ele acredita que essa visão é imposição da mídia, aliada a uma busca de rumo perseguida pela própria juventude. Para o jornalista, a mais clara demonstração de que os jovens anseiam por autoridade é o crescimento da conversão de jovens ao Islamismo na Europa, uma religião com regras rígidas, e que aponta caminhos claros.

Lembrei dessa declaração após assistir Coach Carter - Treino para a Vida, filme magistralmente estrelado pelo ator Samuel L. Jackson, e dirigido por Thomas Carter. Trata-se de uma história baseada na incrível experiência de Ken Carter como professor do time de basquete da Richmond High School, que não conseguia vencer uma partida sequer.
O filme começa mostrando a chegada de um novo professor de basquete a uma escola típica das comunidades negras e pobres americanas, onde os jovens parecem à margem de qualquer cuidado governamental, demonstram nenhuma perspectiva de futuro e muito menos respeito a qualquer tipo de ordem estabelecida. Fica evidente o envolvimento dos jovens com as drogas, apesar de não ser explorado no roteiro (deixando claro que é possível, sim, fazer bons filmes sem consumo explícito de drogas, violência e sexo, por exemplo). Nesse cenário, surge o professor Carter, com a missão de resgatar a auto-estima dos jovens jogadores de basquete, notadamente um dos valores da escola.
Ao chegar, porém, Carter mostra ser mais do que um mero técnico esportivo. Evocando uma disciplina rígida, quase militar, ele conquista o respeito dos alunos rebeldes. Aos poucos, eles assimilam os regulamentos de Carter. As vitórias no esporte começam a aparecer. Mas surge um problema: os alunos não correspondem com um bom aproveitamento escolar, uma das exigências que Carter estabeleceu no contrato.
Na medida em que os estudantes não conseguiam bons resultados escolares, Carter cancela treinos e até jogos, no momento em que o time escolar já é um orgulho no bairro. A revolta é geral. Pais e professores protestam contra o professor. Ameaçam romper com as regras estabelecidas por Carter. Para eles, o professor Carter é um empecilho para aquele momento, que consideram ser o melhor que aqueles jovens podem conseguir. A partir daí, o professor tenta mostrar que há um futuro esperando por aqueles jovens que ia muito além das quadras de basquete.
O filme mostra como é importante ter alguém que mostre uma perspectiva de futuro aos jovens. Carter oferece para seus atletas algo mais do que a glória momentânea do esporte, algo que nem os pais entendem. O técnico oferece uma vitória na vida, algo permanente, conseguido pelos estudos e que não foi conquistado pelos pais, vítimas de um sistema que os impedia de ter uma saudável ambição na vida.
Coach Carter deixa lição maravilhosa. É um dos filmes imprescindíveis, especialmente para quem trabalha com jovens. Mostra que relativizar preceitos e regulamentos para parecer simpático, por exemplo, nem sempre é o melhor caminho, e nem é isso que os jovens querem. Como sempre, e a despeito de toda uma cultura em contrário, é importante ter alguém que aponte para bons caminhos.

17.4.06

Ética política, evolucionismo e prática cristã: Entrevista exclusiva com o Doutor Amin Rodor

Que relação existe entre a crise moral superdimensionada pelos exemplos do Congresso Nacional, as tentativas de manipulação do recente episódio envolvendo Suzane Richtoffen, os sucessivos ataques à credibilidade bíblica perpretados pela cultura evolucionista, e o papel do cristão como sal da terra e luz do mundo nesse ambiente impregnado de sordidez?
Para refletir sobre esse momento histórico, Parajornalismo foi ouvir o teólogo Amin Rodor, uma das vozes essenciais, entre tantas, que o Brasil tem o privilégio de ouvir nesse momento tão importante.
Formado em Teologia, com Mestrado em Divindade e o Doutorado em Teologia Sistemática na Andrews University, em Michigan, EUA, o pastor Amin Rodor defendeu sua tese doutoral com o título The Poor in the Context of the Ecclesiology of Liberation Theology, sendo considerada entre as melhores escritas naquela universidade. Depois de servir como pastor por mais dez anos nos Estados Unidos e Canadá, o teólogo atua hoje como diretor da Faculdade Adventista de Teologia, no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Campus Engenheiro Coelho, onde também leciona em sua área de especialização. O Dr. Rodor é casado com a enfermeira Rita de Cássia, e têm três filhos, Dianne (22), Luccas (16) e Michel (14).
Nesta entrevista, ele analisa os conflitos éticos por trás dos episódios recentes da política e da sociedade brasileiras; reflete sobre o relativismo que impera na história contemporânea; analisa os ataques sofridos pela Bíblia pela milícia evolucionista; e convida os cristãos a fazerem a diferença nesses tempos que considera proféticos. "Enquanto relativizando todos os sistemas humanos de governo, os cristãos são chamados a servirem como meios de reconstrução moral, oferecendo um legado de honestidade, transparência e virtude, onde viverem e servirem, em honra dAquele que é a Verdade, e que ensinou um estilo solidário de vida", sugere.
A seguir, a entrevista completa.

Recentemente, o País inteiro ficou chocado com a tentativa de manipulação de uma emissora de telivisão, por parte de Suzane Richtoffen e seus advogados. Estamos vivendo na Era da Mentira?

Amin Rodor - A mentira não é pratica nova na história da humanidade. Hoje, ela apenas se tornou desinibida, conhecida, divulgada e sistêmica. O caso específico da tentativa de manipulação dos advogados de Suzane Richtoffen, às vésperas do seu julgamento, é deplorável. Contudo, devemos lembrar que este é comportamento clássico de advogados de defesa, especialmente em crimes desta natureza, buscando atenuar a opinião pública, apelando para os sentimentos, na tentativa de criar contexto mais favorável. Todo o cenário, as lágrimas, gestos, atitude de desorientação, as próprias roupas infantis, revelam uma estratégia calculada. Mas não é nenhuma novidade que advogados não aceitam seus clientes baseados na convicção da inocência deles.
Por outro lado, creio, há uma outra face escura naquela entrevista. A própria rede televisão em causa não apresentou comportamento muito mais ético. E nos perguntamos o que é pior? A prática de “esquecer” microfones ligados, para expor seus entrevistados, tem se repetido em outras circunstâncias. Sem dúvida tal comportamento também é pouco ético, e, aparentemente, constitui um engano calculado, em relação aquilo que deve ter sido combinado com os conselheiros da moça. Que advogado escolheria expor seu cliente a uma situação daquelas, tivesse isto sido uma condição? Não teria a emissora de televisão também quebrado um código moral, em busca do espetacular, do sensacionalista, e em sua obsessão por índices de audiência ou se fazer passar por heroína as olhos da opinião pública?
Tanto advogados como canais de televisão sabem que o maior efeito que se pode exercer sobre as pessoas é de natureza emocional. Eles sabem que quando as emoções são tocadas, facilmente as pessoas são manipuladas. Nos dois casos, a preocupação primária não é com a verdade, com conteúdo moral, mas com o puro marketing. Assim, sem dúvida, estamos vivendo na Era da Mentira generalizada.

O Brasil passa por uma crise ética tida por alguns setores sociais como sem precedentes. As denúncias de escândalos se sucedem, e alcançam quase todos os setores institucionais. O que toda essa situação pode nos ensinar, do ponto de vista cristão?

Amin Rodor - Corrupção, falta de transparência (palavra muito desgastada pelo seu abuso), falta de responsabilidade, mal uso do poder e de recursos públicos, usualmente em segredo e para vantagem privada, também não são nenhuma novidade na história dos povos em geral e na história do Brasil em particular. Desde o período colonial a corrupção no Brasil tem florescido em duas trajetórias específicas: 1) A manipulação de decisões políticas, para favorecer ganhos e interesses particulares e, 2) Apropriações de recursos públicos por políticos inescrupulosos.
A generalização dos escândalos agora, entretanto, alcançou entre nós uma proporção sem precedentes. Mentira, cinismo, ausência de decência comum e todo tipo de comportamento sórdido, banalizaram a vergonha e a ética. A crise atual nos setores públicos têm, porém, um agravante desolador: Os comportamentos inescrupulosos que testemunhamos são verificados entre aqueles que se auto-proclamavam os campeões da moralidade e da virtude pública. Os que foram vistos como a solução para o câncer que historicamente tem corroído a República se demonstram hoje como uma parte grotesca do problema. Toda esta situação desencanta, especialmente quando a nação assiste chocada a impunidade celebrada com passos de dança, e com a zombaria do mínimo que é esperado dos representantes do povo. Ou será que a verdade crua é que no Brasil o povo não tem representantes? Que os que estão no poder apenas representam a si mesmos e aos interesses dos seus patronos?
Os cristãos não deveriam ter qualquer ilusão quando às distorções enterradas na natureza humana caída, que, dada as circunstâncias, se revela com todo o ímpeto de sua desfiguração. Por outro lado, todo este quadro de aberrações sugere que estamos chegando a um beco sem saída na história humana, onde a própria vida está se tornando, progressivamente, impossível no planeta Terra. O elenco dos males relacionados por Jesus Cristo, em sua descrição do tempo do fim (Mat. 24), inclui problemas de natureza social e moral, que se ajustam com precisão cirúrgica ao cenário atual.

Recentemente, uma pesquisa elucidava que os fatos envolvendo corrupção no setor público eram reflexos de um posicionamento humano na vida, onde a moral tem parca repercussão. O que o senhor tem a dizer sobre isso? Numa escala geral, pode-se dizer que o homem está se tornando, irremediavelmente, amoral?

Amin Rodor - Claro que é mais fácil confessar os pecados dos outros, e muitos dos que são especialistas em apontar a falta de decência básica nos políticos, não se comportam muito melhor na rotina diária deles mesmos. O Brasil figura no 46o. lugar entre as 91 nações mais corruptas do mundo. Presenciamos entre nós o que se poderia chamar de regime da cleptocracia (o governo do roubo). Em pesquisa relativamente recente, 82% dos brasileiros responderam que a corrupção é o primeiro ítem a ser atacado pelo governo, mesmo antes do desemprego, dos problemas na educação e segurança. Contudo, se a maioria dos brasileiros se comporta com a filosofia do jeitinho, do “levar vantagem em tudo,” a solução ficará sempre no terreno das abstrações. Corrupção no setor público é certamente um reflexo da cultura, porém este fenômeno tem caráter dialético. O cinismo, desonestidade, amoralidade dos políticos despertam e reforçam os mesmos vícios entre as pessoas em geral, o que por sua vez se reproduz na nova geração de políticos, que aparecerão ainda piores, mais cínicos e corruptos.
Podemos dizer que um processo de entropia moral se estabeleceu na raça humana. Os ruins estão se tornando naturalmente piores, e assim, a sociedade está perdendo suas últimas fibras. Instituições tais como escola, família e em certa medida a própria Igreja, que no passado serviram de guias morais para a sociedade, hoje apenas refletem a sociedade, que sistematicamente minou estas forças. O quadro, do ponto de vista humano, é sombrio. A disfunção moral do homem é evidente em todas as partes, dando testemunho de que algo está terrivelmente errado conosco. As Escrituras, em II Timoteo, 3:1-5, dão-nos um quadro exato da situação contemporânea: “Sabe, porem, isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, ingratos, inimigos do bem, traídores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus” Isto parece mais atual do que jornal que vai sair amanhã!

Pode haver alguma relação entre essa crise ética e moral e o relativismo comum à sociedade de consumo dos dias atuais, caracerizada pelo forte materialismo?

Amin Rodor - Por muito tempo o materialismo marxista pregou que a “religião é o ópio dos povos”, e muitos creram. A realidade, contudo, é precisamente o inverso: O materialismo é o narcótico que anestesia as pessoas para o nível mais importante da vida, que é a dimensão espiritual. O materialismo estabelece e faz triunfar a lei das garras e dos dentes, com a questionável ética da “sobrevivência do mais forte.” O materialismo criou uma cultura consumista, em busca da satisfação de desejos artificiais criados pela propaganda dos meios de comunicação, e as pessoas estão ficando cada vez mais vazias daquilo que realmente conta. O Hedonismo, a filosofia do prazer, invadiu o planeta e tornou-se a obsessão dominante. Sucesso e poder, em termos seculares, têm levado as pessoas a busca-los a qualquer preço.
O materialismo, contudo, desequilibra o psiquismo humano, desfigura e viola o verdadeiro sentido da vida, esmaga o sentimento de fraternidade entre as pessoas, porque leva a um estilo de vida centralizado no eu, infectando todas as malhas da sociedade. Como explicar que alguns têm o que eles não poderiam gastar em muitas vidas, enquato outros não têm nada, nem mesmo o suficiente para as 2000 calorias necessárias diariamente? Que tipo de insanidade é esta, que torna as pessoas incapazes de ver direito, sentir direito e agir direito? Jesus estava absolutamente correto ao tratar o dinheiro como um deus, que escraviza as pessoas, cegando-lhes os olhos, paralizando as mãos, selando os lábios e congelando o coração. Assim, elas se tornam inabilitadas, incapazes de incluirem os outros e suas necessidades, em seus projetos pessoais de ganância desmedida.
Tal comportamento, contudo, é suicida. Steve Berglas escreveu o livro The Success Syndrome: Hitting Botton When You Reach the Top (A Síndrome do Sucesso: Chegando ao Fundo Quando Você Alcança o Topo), que discute os perigos morais, interpessoais e psicológicos do “sucesso” na sociedade atual. Berglas observa que “poder e sucesso” representam, na maioria das vezes, compromisso moral. Pessoas alcançando o topo, frequentemente chegam ao chão em sua vida moral e espiritual. Com freqüência suas famílias são destruídas e deixadas para trás, para não se falar das outras pessoas. As vítimas desta síndrome, com freqüência, se tornam tão obcecadas consigo mesmas, ao ponto de se tornarem escravas de comportamentos destrutivos, para conviverem com seus problemas de consciência, ou então se endurecem, tornam-se calosas, distantes e frias.
Várias soluções têm sido propostas para os problemas enfrentados pela família humana na área social. Muitos crêem que tecnologia, educação, ou abundância de recursos, são as saídas para o dilema humano. Embora essas alternativas tenham suas áreas próprias de ação e influência, essencialmente o problema humano é de natureza espiritual. Repetidamente Jesus sugeriu que a dificuldade com os seres humanos não é tecnológica, educacional, ou de mera falta de recursos. O problema está no coração humano. Nós somos distorcidos interiormente, gravitamos ao redor de nossos interesses. Em Marcos 7:21-22 Jesus coloca o indicador na jugular da condição humana: “Pois do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a lascívia, a inveja a blasfêmia, a soberba e a loucura”.
O problema básico com o mundo não é meramente termos o sistema errado de governo, o predomínio da ignorância, ou falta de acesso a maiores recursos. O problema essencial do mundo são as pessoas alienadas de Deus, basicamente egoístas, motivadas por aquilo que elas podem ganhar e acumular. Não é de admirar, então, as turbulências criadas pela corrupção. Não é de admirar, então, que a brecha entre ricos e pobres seja tão grande, sem qualquer solução prevista.
Jesus indicou o problema com clareza surpreendente: Separados de Deus, vivemos em trevas, em ignorância, centralizados em nossos desejos egoístas e em nossas prioridades distorcidas. Daí porque Jesus Cristo é tão radical a falar da solução, em termos de um novo nascimento (João 3:3). Ele falou de uma mudança dramática e completa em nossa vida. Ele referiu-se a uma vida completamente nova! Ele ensinou que a mudança real deve partir do interior, operada pela graça divina, quando a Ele nos volvemos em fé. Jesus Cristo foi um realista. Ele ensinou que operando meramente no plano material, o homem continuará encravizado e fossilizado dentro da concha que o envolve. É apenas porque os homens têm um conhecimento superficial das reais causas do problema humano, que as soluções propostas não passam de tentativas frustradas, tais como se estivessemos tentando curar um tumor maligno ou uma leucemia com band-aids ou aspirinas. Karl Marx falou do surgimento do “novo homem” quando os oprimidos subvertessem os opressores. O que acontece realmente em tal revoluçao? O que vemos, historicamente, é apenas o surgimento, não do “novo homem,” mas do “novo opressor.” Tal verdade é magistralmente ilustrada por George Orwell, em A Revolução dos Bichos. Jesus falou do surgimento do novo homem, quando os demônios interiores de nossa depravação forem destronados pelo novo princípio de vida, que Ele implanta em nossa velha natureza. Devemos então esperar que todos se convertam? Não. Isto seria utópico, e é precisamente por isto que, de forma provisória, até o momento quando Deus implantará o Reino perfeito, as leis devem funcionar na sociedade, tanto controlando os governantes, como punindo com seriedade e imparcialidade todos os desvios sociais e políticos.

Recentemente, as Escrituras Sagradas têm recebido ataques contra sua legimidade. Cientistas anunciam descobertas como a caminhada de Jesus sobre o gelo ao invés de água, e a descoberta do Evangelho de Judas, propondo uma nova visão sobre os escritos bíblicos. Gostaria de ouvir sua opinião a respeito. Pode haver relação entre esse questionamento e a degradação da moral humana?
Amin Rodor - Ataques às Escrituras não são realmente recentes. Suas investidas mais poderosas vieram com o método crítico histórico, nos desdobramentos do Iluminismo. Mas a Palavra de Deus continua sendo uma extraordinária bigorna de aço, irredutível, onde os martelos do ceticismo têm-se desintegrado, um a um. “Seca a erva e murcham as flores, mas a Palavra do Senhor permance para sempre”(Isaías 40:8) A Bíblia continua sendo o livro mais traduzido, mais difundido, mais lido, mais reverenciado, e a maior influência positiva na vida das pessoas, onde quer que ela seja aberta e sinceramente aceita. Aí está uma poderosa arma contra a corrupção, amoralidade e abandono da ética!
Dizer que Cristo tenha andado sobre o gelo, não passa de um argumento ridículo, desacreditado por uma simples leitura da narrativa. Como explicar então que Pedro afundava nas mesmas águas, que as ondas se agitavam, ou que os discípulos estiveram remando um barco? Apenas a ignorância, o preconceito, a má vontade humana, e a rejeição do elemento sobrenatural nas Escrituras, poderiam sugerir uma explicação desta natureza.
Nesta mesma linha, veja por exemplo a teoria da evolução, aceita nos meios universitários como “ciência.” Uma teoria que realmente não passa de mera filosofia científica, ou mesmo de um tipo de religião, que enfrenta formidáveis obstáculos, e que não seria aprovada num teste básico da verdadeira ciência, porque não pode ser observada, testada, experimentada ou repetida. Todos os fatos da biologia ou da geologia demonstram que ela não ocorreu no passado, e todos dados genuinos das ciências fisicas demonstram que ela é absolutamente impossivel de ocorrer. Arthur C. Custance, Ph. D., em antropologia, membro da Canadian Physiological Society, do Royal Anthropological Institute e da New York Academy of Sciences, em seu artigo “Evolution: An Irrational Faith,” (“Evolução: Uma fé Irracional”), observa: “Virtualmente todas as noções fundamentais da fé evolucionista ortodoxa, têm se demonstrado contrárias aos fatos”. Contudo, ele continua, “tão arraigadas são as pressuposições que a teoria é agora amplamente mantida, a despeito das evidências ao contrário.”
Muitas das “evidências” apresentadas pelo evolucionismo, não passam de fraudes grosseiras, na tentativa de se perpetuar o mito, freqüemente divulgadas com fervor missionário pelos meios de comunicações. E, por estranha ironia, tal teoria é ensinada quase universalmente nas salas de aulas, dos primeiros aos últimos graus, como um fato, em todas as ciências naturais. O conceito, entretanto, representa uma contradição fundamental: Próximo ao princípio racional, indispensável a qualquer arrazoado lógico, o homem incrédulo introduziu um princípio de irracionalidade. A ciência e os cientistas de forma geral, podem ver a ordem e o desígnio no universo que os cercam, e sabem que sem tal ordem a própria ciência não poderia existir. Ao mesmo tempo, irracionalmente eles suprimem a verdade de que a ordem e o desígnio não podem existir por acaso. Em seu orgulho e arrogância intelectual, tem tentado eliminar o Criador, e, ironicamente, um grande número de cientistas prefere interpretar os fatos do universo e da vida em termos de uma precária teoria filosófica.
Voltando a questão do Evangelho de Judas, recentemente discutido pela midia, o que ele representa? Apenas um documento antigo, como muitos outros. Para pessoas familiarizadas com a crítica textual do Novo Testamento, sabe-se da existência de pelo menos 29 a 32 destes evangelhos apócrifos, muitos deles atribuídos a nomes conhecidos no Cristianismo primitivo (pseudoepígrafos), na tentativa de atribuir autoridade ao seu conteúdo (como o Evangelho de Pedro, Maria, Nicodemos, Tomé, Pilatos, etc).
A maioria destes “evangelhos” foi escrita em periodo muito posterior ao Novo Testamento, para satisfazer a curiosidade popular, e estão cheios de lendas a respeito da vida de Cristo. O conhecimento agora do Evangelho de Judas, com procedência do terceiro século AD, foi provavelmente escrito por uma comunidade gnóstica (grupo herético, que alegava possuir conhecimento esotérico, e que, em função da dicotomia grega entre matéria e espírito, não criam na realidade fisica da encarnação de Jesus), e que se vale da figura de Judas como um instrumento para conformarem Jesus à sua filosofia religiosa. A questão é: Por que alguém deixaria de crer nos evangelhos canônicos, com manuscritos originais ou cópias muito mais antigas e de historicidade comprovada, para aceitar uma teoria que serve apenas aos propósitos daqueles a serviço da incredulidade, para quem uma grama de mentira vale mais do que toneladas de verdade?
Finalmente, é claro que existe uma relação entre o abandono de Deus e o estado de coisas encontrado de forma globalizada na comunidade humana. O que esperamos depois de envenenarmos a alma de nossas crianças e jovens com incertezas a respeito de suas origens, propósito e destino? Se eles são apenas resultado de forças cegas da natureza? O que esperamos quando doutrinamos nossas crianças e jovens na cartilha da violência, da licenciosidade, da indisciplina e os mergulhamos na cultura do eu? Os barões e gurus dos meios de comunicação, que sistematicamente tem corroído e subvertido a idéia de Deus, devem ao mesmo tempo, aprender a conviver com a corrupção, crime, violência, roubo, ganância, falta de ética e desrespeito generalizado à vida, males que, em grande medida, eles tem encorajado e difundido. Afinal, não se pode eliminar o orgão e esperar a função!

De que maneira o cristão pode ser uma influência positiva para um comportamento ético no mundo ontemporâneo?

Amin Rodor - Os cristãos são chamados a evitar todo o tipo de omissão em face à responsabilidade social, bem como evitar toda forma de pessimismo escatológico. Eles devem, como sal e luz, oferecer, em meio às forças da morte, da desintegração ética e do declínio moral, o exemplo do seu testemunho, bem como agirem como instrumentos de preservação e renovação de todos os valores que dignificam e promovem o respeito à vida. Embora crendo que nenhum sistema humano criará o paraíso neste planeta, dominado pelo mal e pelo pecado, enquanto aguardando “novos céus e nova terra nos quais habita a justiça” (II Pedro 3:13), os discípulos de Cristo devem se unir a todo esforço legítimo por reformas coerentes que promovam a justiça, integridade e a igualdade entre as pessoas. Eles são também chamados a ministrarem aos desafortunados e necessitados, com quem partilham a jornada da vida. Enquanto relativizando todos os sistemas humanos de governo, os cristãos são chamados a servirem como meios de reconstrução moral, oferecendo um legado de honestidade, transparência e virtude, onde viverem e servirem, em honra dAquele que é a Verdade, e que ensinou um estilo solidário de vida. Os seguidores de Cristo, embora vivendo em contexto de corrupção, e testemunhando o eclipse da ética, devem lembrar que a escuridão não afeta as estrelas. De fato, a escuridão apenas realça o brilho delas, e que, quanto mais escura for a noite, mais brilhantes serão as estrelas!

15.4.06

Sob o domínio da intolerância

O caldo de intransigência que apimenta as relações entre o islamismo e a civilização cristã ocidental ganha um tempero adicional graças a duas provocações desnecessárias que devem pautar o noticiário esta semana.
Da Itália, uma revista ligada à poderosa instituição católica Opus Dei publicou recentemente uma caricatura representando o profeta Maomé no inferno, como você pode ler nessa reportagem. Bem anteriormente, um jornal dinamarquês pôs fogo no circo mundial, ao divulgar desenhos considerados ofensivos pelos muçulmanos.
"De vez em quando é bom que haja um cartoon satírico politicamente incorreto", comentou o diretor da revista, Cesare Cavalleri, membro da Opus Dei.
Ele só não concordaria, claro, com a atitude dos criadores de South Park, um desenho ultra-politicamente incorreto, tido como cult, e sinal evidente de que alguma coisa não vai bem no mundo quando algo desse tipo recebe prêmios e elogios do show business. O tal desenho, alegando retaliação à censura de um episódio ironizando o profeta Maomé, resolveu produzir um episódio com situação ofensiva aos cristãos.
É curioso como essa turma tenta ser descolada mas apóia suas idéias no pior tipo de conservadorismo que o estilo de vida do ocidente pode proporcionar. Paralelamente, é lamentável como organizações criminosas criaram um manto de preconceito sobre o islamismo, fornecendo uma visão cheia de ruídos sobre essa manifestação religiosa.
Se existe algo que precisa ser apoiado, é a liberdade de expressão. Mas toda liberdade pressupõe responsabilidade, e aqui deveria entrar a preocupação em não ofender nem causar danos morais a outras manifestações, por mais que se discorde. O debate poderia ser exercido sem a necessidade da ofensa.
O problema é que as relações exercidas por cristãos e muçulmanos deixam pouco espaço para princípios da cortesia, comuns ao labor religioso. Mas faz tempo que esse assunto deixou de ser tratado segundo leis religiosas ou morais. A coisa descambou para a intransigência. Quem dita as regras do jogo é a intolerância. Nesse contexto, claro, a única voz possível de ser ouvida é a do ódio, da calúnia e da violência.

Muito além de Charlton Heston

Para boa parte da civilização ocidental, falar sobre os Dez Mandamentos é provocar reminiscências sobre o clássico filme de Cecil B. Mille, com Charlton Heston segurando irascivelmente as tábuas da lei para um povo insensível a um projeto de redenção em curso.
Mas esta semana, religiosos e autoridades americanas reafirmaram que, em um mundo dominado pelo relativismo, os Dez Mantamentos contêm princípios universais e imutáveis de moralidade, e servem como uma bússola a ser considerada por legisladores de todo o mundo.
Essa declaração faz parte de um documento criado para reafirmar o papel do Decálogo na sociedade contemporânea, e foi divulgado no campus da Universidade Loma Linda, Califórnia.
Diz trecho do documento: "Os Dez Mandamentos propiciam uma bússola moral numa era de relativismo. Mediante a lei de Deus, o Espírito Santo nos convence do pecado e nos traz a um senso de total desamparo. A lei de Deus é o instrumento pelo qual o Espírito nos chama ao arrependimento".
Nos EUA têm havido movimentos chamando a atenção das pessoas para os Dez Mandamentos. Um grupo particular, que se chama "Comissão dos Dez Mandamentos", tem buscado inspirar o interesse público pelo Decálogo.
A Lei do Decálogo foi criada para orientar as pessoas sobre o procedimento correto quanto a conduta moral. Para muitos, trata-se de uma determinação bíblica ultrapassada, mas não é bem dessa maneira que a Bíblia analisa a importância desse tema, inclusive em textos do Novo Testamento. Um estudo cuidadoso pode orientar sobre esse assunto, que tem uma importância na vida das pessoas bem maior do que o crédito que é dado para o tema.
Para quem quiser descobrir mais a respeito, alguns trechos bíblicos podem ajudar: Êxo. 20:1-17; S,. Mat. 5:17; Deut. 28:1-14; Sal. 19:7-13; S. João 14:15; Rom. 8:1-4; I S. João 5:3; S. Mat. 22:36-40; Efés. 2:8.

12.4.06

Celeiro de bobagens

Hoax é a definição para o boato digital. São aquelas famosas mensagens repassadas para milhões de usuários, contando uma história falsa. Essas mensagens se propagam pela internet com uma velocidade estonteante. Alguém inventa o boato e envia para a lista de amigos. Os amigos recebem e repassam para suas próprias listas. Tem início uma eficiente propagação que chega, na maioria das vezes, a milhões de pessoas. E isso é uma descomunal perda de tempo e energia, pois geralmente essas informações não passam de mentiras, às vezes até absurdas.
Hoje recebi um hoax, e me impressionou pela durabilidade desse tipo de comunicação. Trata-se da velha história de que a Procter & Gamble, poderosa multinacional que produz, entre outros produtos, alimentos e itens de higiene, tem relação com seitas malignas. Conta até que um dos executivos da empresa foi a programas de tevê dos Estados Unidos confirmar essas ligações. Esse boato existe há mais de 10 anos. Foi diversas vezes desmentido pela empresa, por grupos religiosos sérios, e ainda hoje é motivo de guerra judicial entre a Procter & Gamble e a concorrente Amway, acusada pela primeira de ter inventado a história para prejudicá-la.
É intrigante ver até mesmo pastores envolvidos na propagação dessas bobagens. Não precisa muito esforço para verificar que o tempo perdido por esse tipo de coisa poderia ser usado, por exemplo, para sugerir um link sobre algo nobre, um belo estudo bíblico, um canal de informação e estudo, algo mais edificante. Mas isso não tem apelo suficiente. Não é sensacionalista. Melhor mandar aquele e-mail repassado zilhões de vezes sobre seqüestradores de rins.
Evidente que o cristão deve ser vigilante, especialmente nesses tempos de conhecimento desenfreado, de secularização, de relacionamento minimalista com Deus. Mas talvez o alarmismo não seja o caminho. A ponderação é um princípio de sabedoria. Paulo sugeriu que as pessoas se transformem pela "renovação do entendimento" (Romanos 12:2). Em suas palavras, fica a evidência de que o exercício cristão carece também de certo labor intelectual.

"Heresia, antes e depois"

A descoberta de um exemplar de 1.700 anos de idade do "Evangelho de Judas", um texto gnóstico antigo que pretende conter um diálogo entre Jesus de Nazaré e Judas Iscariotes, não é nem um evangelho autêntico, nem boas novas, disseram eruditos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. "Era heresia então, e é heresia agora", foi a pronta avaliação do Dr. Gerhard Pfandl, diretor-associado do Instituto de Pesquisa Bíblica que considera a Arqueologia do Oriente Médio como um campo de estudo de seu particular interesse.
Segundo uma organização privada dos EUA, a National Geographic Society, o manuscrito recém-divulgado do Evangelho de Judas representa um avanço nos estudos especializados do cristianismo primitivo.
"O Evangelho de Judas oferece uma visão diferente do relacionamento entre Jesus e Judas, trazendo-nos novos lampejos quanto ao discípulo que traiu a Jesus. Diferentemente dos relatos dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, nos quais Judas é retratado como um grande traidor, esse evangelho recém-descoberto descreve Judas como agindo a pedido de Jesus ao entregá-Lo às autoridades", declarou a entidade da National Geographic numa notícia em que o projeto de sua pesquisa era anunciado e que é o tema de capa da edição de maio de 2006 da revista "National Geographic".
Segundo a Sociedade, o enfoque do livro é radicalmente diferente do dos evangelhos encontrados no Novo Testamento: "O texto do Evangelho de Judas começa assim: 'O relato secreto da revelação do que Jesus falou em conversa com Judas Iscariote durante uma semana, três dias antes que Ele celebrou a Páscoa'. Reflete temas que os eruditos consideram como sendo coerentes com tradições [gnósticas]. Na primeira cena Jesus ri de Seus discípulos por orarem 'o teu Deus', significando o Deus 'menor' do Velho Testamento que criou o mundo. Ele desafia os discípulos a olharem para Ele e entender quem Ele realmente é, mas eles recusam.
"A passagem-chave ocorre quando Jesus diz a Judas: "'. . . tu excederás eles todos. Pois tu sacrificarás o homem que me veste'. Por ajudar Jesus a libertar-se de sua carne física, Judas ajudará a libertar o verdadeiro eu espiritual ou ser divino dentro Dele", declara a nota noticiosa da Sociedade.
Esse pensamento pode ser interessante, diz o Dr. W. Larry Richards, diretor do Centro de Pesquisa de Manuscritos Gregos do Seminário Teológico da Universidade Andrews, uma instituição adventista do sétimo dia, mas não é o evangelho.
Falando por telefone de seu escritório em Berrien Springs, Michigan, Richards declarou que a filosofia subjacente dos gnósticos, de que o corpo físico é "mau" e deve ser destruído para o homem ser salvo, é um "ataque muito forte ao cerne de nossa mensagem" que ressalta a saúde espiritual, mental e física, ele disse.
"Eu desejaria fazer algo que informasse nosso povo sobre o ponto de vista básico no gnosticismo e como se está manifestando no século 21 para que as pessoas fiquem alerta", disse Richards ao discutir o manuscrito "Judas". Ele disse que outras obras populares, como a novela de Dan Brown novel, "O Código Da Vinci", que vendeu 40 milhões de exemplares e será lançado como um filme, inclui idéias gnósticas. Ademais, declarou Richards, a Igreja cristã há muito decidiu que livros tais como o "Evangelho de Judas" não faziam parte do cânon do Novo Testamento.
"Temos uma história, uma tradição de que o cânon foi fechado no quarto século e como uma parte do movimento cristão nos apegaremos ao mesmo. Isso se tem estabelecido por um registro de séculos e cremos que Deus teve Sua mão nisso; e para nós, abrir as portas para livros adicionais criaria o caos", ele explicou. E, Richards disse, os cristãos devem rejeitar o pensamento gnóstico porque subverte o caminho da salvação. O gnosticismo, com o seu conceito de esforço humano para alcançar o que chamavam de "essência espiritual", muda o enfoque da salvação de um dom de Deus para o esforço humano. "O cristianismo é a única religião em que a salvação é fora de nós", disse Richards.
Segundo o Dr. Greg King, professor de religião da Universidade Adventista do Sul, em Collegedale, Tennessee, os cristãos que crêem na Bíblia deviam ter interesse no manuscrito de "Juds", mas não por razões de promover as suas reivindicações. "Ele mostra o cumprimento do verso bíblico em que Paulo, considerando os anciãos de Éfeso, advertiu: "Eu sei que depois da minha partida, lobos devoradores se manifestarão entre vós, e não pouparão o rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens falando coisas pervertidas", lembrou King, citando Atos 20:29 e 30.
"Um segundo ponto que merece ser levado em conta é que deveríamos nos interessar nisso porque demonstra as heresias, os falsos ensinos que já se haviam multiplicado naquele tempo", ele acrescentou. "Acho irônico que muito do mundo da erudição parece tão agitado quanto a essa descoberta quando temos tantas verdades a descobrir na revelação canônica de Deus nas Escrituras, que tantas vezes são ignoradas".
E o Dr. Warren Trenchard, autoridade da Universidade La Sierra, uma instituição educacional adventista de Riverside, California, acrescenta: "Creio que o valor de um documento como esse é simplesmente ajudar-nos a expandir nosso quadro das variedades de cristianismos que existiam na primeira experiência da Igreja. O que estamos considerando, realmente, é uma característica da expansão e desenvolvimento do cristianismo".
(Da Rede Adventista de Notícias)

9.4.06

Cristo executivo?



O mercado editorial descobriu um filão comercial cuja exploração parece estar apenas começando: usar a pessoa de Jesus para vender auto-ajuda e motivação empresarial, como mostra reportagem da revista Istoé.
Tudo começou com um best-seller chamado Jesus, o maior psicólogo que já existiu. O livro está a 50 semanas na lista de livros mais vendidos e abriu as portas para esse tipo de literatura. Veio, na seqüência, Jesus, o maior líder que já existiu. A novidade é o livro Jesus, o maior executivo que já existiu.
Segundo a revista, o autor (Charles C. Manz, professor da universidade de Massachusetts) justifica a publicação ao resumir o que pensa do protagonista: “Suas lições de liderança apontam para uma nova abordagem que pode permitir que líderes e seguidores mantenham a integridade, vivam em um plano superior e, finalmente, atinjam suas metas pessoais e profissionais através de princípios práticos e razoáveis”.
Esse modismo é de fato questionável. Minha impressão é de que a mensagem cristã, sua essência e o compromisso que ela sugere para os cristãos são esvaziados por uma utilização parecida como receita de bolo, feita sob medida para agradar um nicho de mercado. Na reportagem, Dom Odilo Scherer, secretário geral da CNBB, declara: “As tentativas de apresentar Jesus como modelo em áreas da atividade humana são forçadas e fazem de Jesus um mito, sem história e sem rosto, que cada um ajusta para seu consumo”.

7.4.06

O evangelho da tolerância

A juventude adventista brasileira realizará uma ação de impacto em 2007, por ocasião dos Jogos Panamericanos no Brasil. As ações estão sendo pensadas, mas a idéia é mostrar uma mensagem de amor e de paz no momento em que a América estará unida, participando de várias modalidades esportivas no Rio de Janeiro, sede do evento.

O fato merece ser comemorado, pois mostra o poder de mobilização adventista para causas de interesse público. Em breve, este blog vai trazer mais informações a respeito desse assunto.

O que pretendo agora é chamar a atenção para uma oportunidade inigualável de deixar uma mensagem de amor e de tolerância entre os seres humanos: a Copa do Mundo na Alemanha.

Aos poucos, o torneio vai ganhando espaços na mídia. Até sua estréia em junho, deve ocupar exaustivamente a agenda dos meios de comunicação.

Esse ano, além das informações alusivas à disputa, um fato deve também chamar a atenção da mídia, que é o crescimento das atividades racistas nos estádios. As pessoas levam faixas e fazem gestos racistas, e isso vem preocupando as autoridades do torneio.

Nesse momento, a Igreja tem a oportunidade de deixar para todo o mundo uma mensagem de tolerância, fundamentada em princípios cristãos. Quem sabe seria interessante escrever para autoridades, demonstrando apoio ao combate à discriminação racial, além da distribuição de impressos e outros materiais promocionais reforçando a importância de uma convivência pacífica entre os povos.

Essas ações intensificam o evangelismo, uma vez que uma mídia global vai acompanhar algo dessa natureza. Pegar carona para mostrar que existe um estilo de vida diferente, que agrega alegria, saúde, fé e compromisso cristãos, é uma proposta fundamental para quem vive nesse mundo interconectado de hoje.

Quebrando paradigmas

Muitas vezes até os próprios cientistas esquecem disso, mas a verdade é que a ciência não é infalível. E em nome da ciência, muitas bobagens foram ditas ou feitas.
Acompanhe mais sobre esse assunto nessa reportagem da revista Terra, que tomei conhecimento graças a mais uma colaboração do jornalista Felipe Lemos.

5.4.06

Religião X Política: Uma reflexão


Uma tendência a se verificar nas eleições desse ano é o aumento da participação de candidatos evangélicos. No Peru, onde um acirrado embate político vai definir o presidente do país no domingo 9 de abril, percebeu-se um crescimento significativo de evangélicos na disputa.
Trata-se da maior participação evangélica da história, segundo informações da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC). São 100 postulantes, quase o dobro em relação ao pleito anterior. Três deles são candidatos a presidente ou vice-presidente do País.
O discurso desses candidatos pontua as bandeiras da moralidade e do combate à corrupção. As declarações da disputa brasileira devem ser semelhantes, especialmente por conta do momento vivido pelo País, tomado pelo que a imprensa vem chamando de maior escândalo político da história. Há dez meses, o assunto ocupa capas de jornais e revistas brasileiros.
Ao lançar-se candidato, um evangélico deve considerar que terá de testemunhar de modo inequívoco sobre o papel cristão na política. Diante dos cenários que acompanhamos rotineiramente, o desafio parece perdido. Essa é a razão pela qual muitos cristãos desestimulam a participação na política.
O debate é sério, e merece ser analisado de modo mais amplo. Neste link da revista Diálogo Universitário, vale a pena ler um artigo de Bert B. Beach, diretor de relações entre igrejas da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.
Para ele, o cristianismo não é uma religião de individualismo isolado ou de introversão; é uma religião de comunidade. Os dons e as virtudes cristãs têm implicações sociais. Devoção a Jesus Cristo significa devoção a todos os filhos de Deus, e devoção gera responsabilidade pelo bem-estar de outros.
Falando diretamente à participação adventista, mas que serve para todos os candidatos cristãos, Beach lista quatro deveres da cidadania política:
  • Primeiro, o dever de orar a favor dos que exercem autoridade governamental. Precisamos orar por auxílio divino para resolver alguns dos problemas sociopolíticos que afetam negativamente a vida humana e a proclamação do evangelho. As orações e súplicas dos fiéis ascendem muito mais alto do que as declarações e ações políticas que enchem montanhas de papel reciclável.

  • Segundo, o dever de votar e de fazer petições às autoridades no poder. Os adventistas devem votar mesmo quando a escolha seja entre o menor de dois males. Em conexão com isto, a obtenção do título de eleitor é o primeiro passo.
  • Terceiro, o dever de educar-se e informar-se. Os adventistas, não menos que outros cidadãos, devem instruir-se continuamente quanto a questões que afetam a vida presente e futura. Ignorância política não aumenta a felicidade espiritual.
  • Quarto, o dever de candidatar-se e ocupar cargos públicos. Os adventistas têm este direito constitucional. Há também designação para cargos governamentais que não envolvem campanha eleitoral. Ellen White afirma que não há nada errado na aspiração de “sentar em conselhos deliberativos e legislativos e ajudar votar leis para a nação”.1 Contudo, ela aconselha que ministros e professores empregados pela igreja se abstenham de atividades políticas partidárias.2 A razão que ela dá é bem clara: política partidária pode criar divisões. Um pastor poderia facilmente dividir uma congregação e enfraquecer grandemente sua habilidade de servir como pastor de todo o rebanho, tomando partido.

Mas o artigo também alerta contra os perigos do envolvimento envolvimento político, tanto do indivíduo como da igreja. "Os adventistas, como outros cristãos, podem ser enganados por César. Sucesso na política envolve compromisso, exaltação própria, ocultar fraquezas e desempenhar papéis partidários. Às vezes torna-se necessário aceitar expedientes que não se enquadram com as melhores convicções morais. A política é um patrão exigente e absorvente. Os políticos cristãos caminham sobre uma corda bamba. Devem evitar contaminar-se com a qualidade irônica e absorvente do ativismo político que pode rebaixar seus esforços a um nível em que Deus parece não envolver-Se nos assuntos humanos.

Há um perigo crescente de as igrejas se envolverem em política. Isto leva à interpretação da fé e do evangelho cristãos em termos de valores políticos. O interesse em muitas igrejas parece ter-se transferido da moralidade individual à moralidade social. O resultado é que, em certos segmentos da sociedade eclesiástica, idéias seculares começam a moldar os valores cristãos de modo a haver pouca diferença entre o secular e o sagrado. É triste constatar que amiúde as atitudes de cristãos são as mesmas da sociedade em geral."

No final, como que propondo uma solução para o impasse, o articulista aponta a necessidade de um envolvimento político judicioso. Segundo ele, "uma igreja mundial, com milhares de instituições, dez milhões de membros adultos e muitos interessados, não pode evitar contato com o Estado e o envolvimento político. Não somente pessoas, mas também organizações eclesiásticas, têm direitos e responsabilidades. A igreja tem o direito de intervir no caso de legislação ou ações regulatórias, tanto positivas como negativas, que afetem a missão da igreja.

A igreja não deve jamais (e jamais é um termo forte) identificar-se com um partido político particular ou com um sistema político. Uma identificação tal pode de início trazer um privilégio temporário rápido, mas inevitavelmente arrastará a igreja pela rampa descendente que leva a uma paralisia de sua ação evangelística e profética. Em suma, 'a igreja deve ser a igreja', e não uma agência social. Sua iniciativa mais prometedora para mudar a sociedade é transformar indivíduos, gente. Os adventistas do sétimo dia cumprem, numa estrada de mão dupla a missão de Deus no mundo: evangelismo e serviço".

Eis um assunto passível de análise por todos os que têm compromisso com a ética e a responsabilidade social inerentes ao Cristianismo.


Cineasta diz que só Igreja livra do tráfico


Semanas depois de o Fantástico divulgar o contundente documentário "Falcão - Meninos do Tráfico", a cineasta Kátia Lund declarou que embora seja difícil resistir ao tráfico de drogas, a única organização que consegue tirar adultos, jovens e adolescentes desse meio é a Igreja.
Acompanhe trechos da reportagem, publicada no site da ALC.
Trata-se de um testemunho importante do papel social do Cristianismo, capaz de preparar as pessoas, mesmo as que vivem nas piores condições, para uma vida melhor agora e no futuro.
Vale ressaltar também as declarações da cineasta sobre como uma relação saudável gerida pelos pais evita a sedução dos adolescentes e jovens pelo mundo do tráfico.

Sem tabletes ou ossadas


Não preciso encontrar um tablete antigo com inscrições que citam o nome de personalidades bíblicas como Salomão, Davi ou Moisés para acreditar na Bíblia Sagrada. Nem mesmo ter em minhas mãos pergaminhos ou papiros originais com textos gregos, hebraicos ou aramaicos para crer na veracidade dos ensinos ali contidos. E nem mesmo preciso saber alguma das línguas semíticas para entender a importância de todos seus ensinamentos para a minha vida. Porque o fator mais relevante, para mim, é a fé que tenho nos princípios apresentados. Não estou preocupado com uma cronologia perfeita, nem com inscrições milenares e a falta disso não abala minha crença. Porque se trata de uma fé baseada não nas convicções e argumentos humanos, mas em minha relação com Deus.
Fico, mais uma vez, com os escritos do autor de Hebreus que, no primeiro versículo do capítulo 11, diz que "fé é a certeza das coisas que não se vêem". É isso mesmo! Eu não vi pessoalmente Moisés, nem Elias ou mesmo Josué, Davi e Salomão, mas os ensinamentos advindos de suas vivências me ajudam a compreender minha relação com meu Deus. Vez por outra, ossadas, tijolos e outros artefatos antigos são apresentados como evidências da autenticidade da Bíblia. Pois bem, fico satisfeito em saber que são encontrados. Mas se nunca fossem localizados qualquer um desses materiais ainda assim eu teria fé inabalável na consistência da Bíblia.
Não apenas pelo cumprimento de suas profecias, como a de Miquéias que, com dezenas de anos de antecedência, previu o local de nascimento de Jesus Cristo. Nem por causa da belíssima profecia dada a Daniel, no período em que Babilônia mantinha o povo judeu em cativeiro, que falava dos grandes reinos mundiais que se sucederiam na história a partir do império babilônico.
Nada disso. Minha preocupação não é saber de que maneira Jesus andou sobre o mar (apesar de um professor da Flórida ter dito que Cristo pode ter andado em cima do gelo), mas saber que esse episódio fortalece minha confiança no Seu poder. Quero aprofundar minha comunhão espiritual com Deus através da leitura das preciosidades encontradas ao longo das páginas bíblicas. Extrair, das tantas perólas, palavras que sejam mais do que tinta e papel e sim um guia seguro de orientação para o porvir. É isso que desejo e não especular, criticar, desconfiar e conjecturar de maneira incrédula.
Engraçado é que o ser humano acredita em tantas coisas destituídas de uma base mais científica, histórica ou até lógica, mas parece que com a Bíblia a descrença se transforma em instrumento de resistência. Vejo e leio alguns dizerem: "se os arqueólogos não encontrarem alguma parte dos ossos de Jesus ou outra evidência de sua vida não acreditarei nele". Será que a fé sincera, aquela que realmente move montanhas principalmente nos momentos de dor e adversidade, precisa de uma ossada para se firmar? Será que precisamos desconfiar tanto da narrativa bíblica (harmônica, por sinal) para nos consideramos mais inteligentes, perspicazes e felizes? Penso que tudo isso é fuga. Estamos com medo de enfrentar as nossas necessidades, a nossa realidade e o nosso papel como filhos de Deus nesse mundo.
Minha fé não é derivada de explicações cientificamente corretas. É derivada de um comprometimento espiritual e pessoal com Deus. E isso me basta. Ainda bem.

Felipe Lemos, Jornalista Cristão
(Autorizado pelo autor)

Medicina no cinema

Leia essa interessante reportagem da revista Carta Capital, e observe como o cinema pode prestar um serviço à cultura da desinformação.

A revista ironiza: se depender das "prescrições" de Hollywood, os problemas de saúde dificilmente terão um final feliz.

4.4.06

Entendendo a miscelânea

"Temos, hoje, duas tendências distintas e antagônicas. Uma é da globalização que cloniza os seres com necessidades obrigatoriamente semelhantes, tais como ser magro à la Gisele Bündchen, ter os dentes ortodonticamente iguais, os narizes plastificadamente retos, o mesmo padrão postural, a mesma necessidade de falar inglês, aprender a nadar, etc.. A outra tendência que é a da pluralização do comportamento moral onde cada uma faz o que quer, e como quer, criando suas próprias leis e regras - se é que elas existem. 'Entre o santo e o profano, não fazem diferença, nem discernem o imundo do limpo' (Ez 22:26)".

Leia a íntegra desse ótimo artigo de Rosângela Brito, no site Aleluia, sobre os perigos do relativismo na sociedade contemporânea.

Propaganda infantil: o debate necessário

As crianças brasileiras estão entre as que mais assistem à TV no mundo todo. Enquanto elas permanecem em média três horas e 31 minutos por dia diante da televisão, as alemãs não ficam mais do que uma hora e meia. Considerando que esse meio de comunicação chega a cerca de 98% dos lares brasileiros, pode-se ter idéia do papel da televisão na formação de meninos e meninas. A publicidade televisiva, por meio de comerciais e mershandising, influencia no comportamento e no modo de pensar das crianças, resultando no crescente consumismo apresentado por elas nos últimos tempos. Esse foi o principal assunto discutido durante o I Fórum Internacional Criança e Consumo, realizado em São Paulo nesta semana, no qual especialistas e militantes defenderam que a propaganda destinada a crianças seja regulamentada no Brasil, a exemplo de outros países.
Desde 2001, está em tramitação na Câmara dos Deputados, um projeto de lei de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que altera o Código de Defesa do Consumidor, proibindo a publicidade de produtos infantis. A Campanha “Quem financia a Baixaria é Contra a Cidadania”, organizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara em parceria com organizações da sociedade civil, colocou essa questão como prioritária e realizou, no ano passado, audiências públicas com o objetivo de construir coletivamente uma proposta, a partir desse projeto de lei.
REGULAMENTAÇÃO
Após amplo debate com a sociedade civil, a deputada federal Maria do Carmo Lara (PT-MG), relatora da proposta na Comissão de Defesa do Consumidor, está concluindo que a grande maioria é favorável à regulamentação desse tipo de propaganda e não à proibição total. “Nisso também entra o aspecto da correlação de forças dentro do próprio Congresso Nacional. nós sabemos que existem os lobbies das emissoras, das empresas anunciantes e das empresas de marketing, que vão fazer uma pressão imensa. Estamos optando, em vez de apresentar um projeto proibindo, em dar o primeiro passo que é a regulamentação”, explica o deputado federal Orlando Fantazzini (PSOL – SP), coordenador da campanha.
O substitutivo da deputada vai propor que toda propaganda direcionada a crianças e adolescentes só possa ser exibida após as 22 horas, quando supostamente pais ou responsáveis estão em casa e vão poder analisar se o brinquedo, vestuário ou alimento anunciado é indispensável ou não para a formação de seus filhos. A decisão dos produtos a serem consumidos ficariam, assim, a cargo deles e não das crianças, muito mais vulneráveis aos apelos da publicidade. Esse seria apenas o primeiro passo a caminho da proibição total.
“Nós vivemos numa sociedade de uma desigualdade social enorme. A programação da televisão chega nas casas das famílias que têm um alto padrão de vida e dos miseráveis. Quando você instiga uma criança a praticamente exigir dos seus pais, que muitas vezes sequer têm os recursos para dar o sustento, algum tipo de produto, cria um problema psicológico tanto para a criança quanto para a família”, justifica o deputado Fantazzini. Para ele, a televisão deveria pautar-se por um processo de educação, não por um processo de consumo. “Nós não queremos que ela seja um instrumento que forme consumidores futuros e nem que seja um instrumento para ampliar oenorme conflito social dos dias de hoje”, justifica ele.
OUTROS PAÍSES
Diversas pesquisas mostram que nos primeiros anos de vida, a criança não sabe sequer distinguir entre o que são os programas das emissoras de televisão e as propagandas. Só por volta dos doze anos ela tem capacidade de entender perfeitamente o objetivo comercial da publicidade, ou seja, que a intenção do anunciante é vender o seu produto. Por conta disso, em janeiro de 2005, a Suécia proibiu completamente a propaganda para crianças na TV, após realizar um plebiscito, com mais de 80% das pessoas favoráveis à medida.
Em diversos outros países já existe legislação rigorosa que regulamenta essa questão, impondo limites e horários para esses comerciais serem veiculados. A Inglaterra, por exemplo, determina que a publicidade deve ser dirigida aos pais e limita o preço do que pode ou não ser anunciado, impedindo a veiculação de propaganda de produtos considerados muito caros. Além disso, toda a publicidade infantil inglesa é examinada e classificada previamente.
Em alguns países, como na Alemanha, crianças não podem apresentar publicidade de produtos sobre os quais elas não teriam conhecimento ou que não seriam do natural interesse delas, como anúncios de instituições bancárias. Na Espanha, entre outros lugares, artistas ou personagens de TV, como de desenhos animados e apresentadores de programas infantis, não podem participar de peças publicitárias por causa da influência que exercem sobre as crianças. O mershandising em programas infantis é vetado em diversos países e em outros essas atrações televisivas não podem ser interrompidos por anúncios publicitários.
Em certos lugares, a regulamentação não se restringe à publicidade televisiva, mas atinge também as embalagens dos produtos – que na Suécia devem ser neutras – e incluem a proibição do estímulo ao consumo excessivo de alimentos. É vetada a publicidade de produtos com brinquedos embutidos e figurinhas para colecionar, como fazem no Brasil alguns chocolates, cereais e lanches de redes de fast-food, o que praticamente força o consumo infantil. Os alimentos gordurosos ou doces consumidos em excesso podem levar a problemas nutricionais sérios como o sobrepeso e a obesidade, que vêm crescendo entre crianças e adolescentes brasileiros.
SEM RESTRIÇÕES
Já no Brasil, tudo isso ocorre com tranqüilidade, pois praticamente não existem restrições. “Aqui nós também temos o Código de Defesa do Consumidor. Nele se considera abusiva toda a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança. Como a publicidade é uma atividade econômica, ela pode ser regulamentada, não é censura”, defende a advogada Noemi Friske Momberger, autora do livro “A Publicidade dirigida às Crianças e Adolescentes: Regulamentações e restrições”.
Algumas pessoas argumentam que a proibição da propaganda para crianças inviabilizaria a existência de programas infantis. Mas nem todos concordam com essa premissa. “No Brasil, o modelo de financiamento da TV é feito pela publicidade, mas em outros países, é paga uma taxa na conta de energia elétrica. Existem outros modelos de sustentação da TV, além da publicidade. O problema da sustentação dos veículos de comunicação não é dos pais, muito menos das crianças, é problema de quem faz”, contra-argumenta Sergio Miletto, integrante da campanha e coordenador da Cives - Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania, favorável ao banimento desse tipo de publicidade.
VULNERABILIDADE INFANTIL
Segundo a psicanalista infantil Ana Olmos, a televisão e a publicidade em si não são prejudiciais à criança, os efeitos provocados por elas dependem do uso que se faz delas. “Numa TV determinada pelos interesses do mercado, no entanto, a publicidade infantil conta com a vulnerabilidade da criança para capturá-la, do ponto de vista ideológico, de valores do mundo. Por trás das propagandas existe a idéia de que se você comprar tal produto vai se completar, se incluir, fazer parte das pessoas felizes, ricas e bonitas”, analisa.
Para o deputado Orlando Fantazzini, se não houver pressão social, o lobby das empresas e das concessionárias de TV pode fazer com que o projeto de lei não seja aprovado, mesmo propondo apenas a regulamentação. “Até porque, tanto as emissoras quanto os anunciantes, não têm compromisso com a cidadania, com os direitos da criança e do adolescente. Eles têm compromisso exclusivamente com a lucratividade, para elas o mercado está acima da publicidade”, resume.
Esse é um assunto que merece mesmo uma atenção especial de parlamentares, jornalistas, de toda a sociedade, enfim. Você que é pai ou mãe não precisa fazer muito esforço para perceber que a publicidade dirigida a crianças pode estimular o consumismo, a obesidade infantil e a erotização precoce. Comunidades, igrejas, escolas, universidades, estão todos convidados a analisar e exigir uma legislação mais clara a respeito.

3.4.06

Telebabá


Criticar a qualidade da televisão brasileira virou um lugar comum justo e necessário. Quando o assunto é tevê aberta então, ganha ares de tragédia. Poucas coisas me despertam o interesse. Uma delas é um inusitado reality show que se propõe a ajudar pais a criarem seus filhos. Isso mesmo, um programa de entretenimento mostrando aos pais como criar os próprios filhos. O programa chama-se SuperNanny. Depois de fazer sucesso na Inglaterra e nos Estados Unidos, chega ao Brasil. Estreou na noite de sábado no SBT.

O programa é comandado por Cris Poli, uma pedagoga argentina que vive no Brasil há 30 anos. No site do SBT, ficamos sabendo que "a SuperNanny brasileira é contra castigos, mas acredita que disciplina é essencial: 'as crianças devem saber que algumas regras precisam ser cumpridas'".

O Portal da Educação publicou uma reportagem sobre o programa. No texto, comenta que "de tão trágico, Supernanny acaba sendo cômico, e talvez seja esse o motivo do sucesso de audiência do programa original, que foi reprisado no Brasil pelo canal pago GNT. 'É entretenimento e ao mesmo tempo algo que todo mundo tem interesse em aprender a fazer, até quem não tem filhos', define Perez (Ricardo Peres, diretor do programa do SBT). Tal identificação tem seu lado de auto-ajuda e um aspecto muito curioso: os pais precisam de alguém que os trate como crianças e lhes diga o que, quando e como fazer. Precisam de uma babá".

O assunto merece uma reflexão. Convide Theodor Adorno nessa hora, o filósofo que estudou os efeitos da indústria cultural na esfera social, política e cultural das pessoas, e decretou que essa manifestação "a tudo confere o ar de semelhança", mostrando que fica tudo pasteurizado, para consumo rápido, sem compromisso com uma análise profunda.

Claro que não se espera muito espaço para reflexões em um veículo imediatista como a televisão. Mas saber que um programa ensinando os pais a cuidarem dos próprios filhos faz sucesso acende um sinal de alerta na minha cabeça, especialmente agora que estou a quatro meses de conhecer minha filhinha.

Uma forma de aprofundar-se nessa discussão é estudando o texto de uma lição de estudos bíblicos disponibilizada pela Casa Publicadora Brasileira, uma editora adventista, lançando luz sobre o compromisso de educar as crianças.

Foi lá que li essa declaração da escritora americana Ellen White: "Os filhos são a herança do Senhor e Lhe somos responsáveis pela administração de Sua propriedade".

Aí está uma ponderação útil, holística e necessária. Vale para todo mundo. Até mesmo para a SuperNanny.

Dimenstein informa sobre Mais Vida

O jornalista Gilberto Dimenstein comenta em seu site a importância do Projeto Mais Vida. Ele apresenta dados da Organização Mundial de Saúde apontando ser necessário ter pelo menos 5% da população como doadores regulares para sanar o problema. No Brasil, segundo Dimenstein, esse número chega a 2%.

Enquanto isso, reportagem no site do projeto traça um cenário do que foi o lançamento da campanha na região Nordeste.

Mais Vida em Brasília

O Jornal do Senado repercutiu o apoio dos senadores ao Projeto Mais Vida, durante lançamento no Congresso Nacional.

Out of Control




Um espectro ronda a humanidade. Ele atende pelo nome H5N1, mas é mais conhecido como o vírus da gripe aviária e é pauta de uma interessante entrevista no site nominimo, com o professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Paolo Zanotto, que alerta: é preciso evitar a pandemia.

Zanotto é doutor em Virologia pela Universidade de Oxford. Ele é um dos coordenadores gerais da VGDN (sigla em inglês para Rede de Diversidade Genética de Vírus), uma iniciativa pioneira de monitoramento de vírus em São Paulo, que poderá servir para estruturação de um projeto de biodefesa nacional. Zanotto acha que é preciso evitar a explosão de uma pandemia, pois, caso ocorra, seria tão devastadora como uma guerra termonuclear.

Apesar de já ter provocado quase duas centenas de mortes humanas, o vírus da gripe aviária tem dificuldades de se propagar. Ao contrário do vírus de uma gripe comum, que se concentra na superfície das vias aéreas, o H5N1 se localizaria em células muito internas do aparelho respiratório. Isso dificultaria sua propagação através do espirro ou da tosse, formas convencionais de difusão da gripe.

Mas o que preocupa os cientistas é a possibilidade da mutação, e o risco de que novos sub-tipos do H5N1 se propaguem mais facilmente entre seres humanos. As poucas informações sobre ele, em seu atual estágio, já causam apreensão. Descobriu-se que o vírus foi capaz de ultrapassar a barreira das espécies em três oportunidades na última década, e o H5N1, em relação a outros vírus, causou mais vítimas fatais entre seres humanos.

Esse assunto me desperta o interesse desde que li "Zona Quente", do Richard Preston, um relato perturbador da propagação e das mutações do vírus Ebola, no continente africano. As conseqüências foram desastrosas. O livro mostra a dificuldade de conter algo dessa natureza, no mundo globalizado e interligado de hoje pelas vias de comunicação e transporte.

A leitura de "Zona Quente" flui fácil, com riqueza de detalhes, inclusive da ação letal do vírus nos seres humanos. O livro de Richard Preston inspirou o filme "Epidemia", de 1995, com Dustin Hoffman, que também dá uma idéia de como seria o cofronto entre o homem e a ação de um simples vírus fora de controle.

2.4.06

O Oscar Schindler adventista


Depois que intensifiquei alguns projetos e comecei meu MBA na Universidade de Pernambuco, tenho tido cada vez menos tempo para coisas que gosto, como ler, por exemplo. Ou assistir algo como Hotel Ruanda, um contundente relato do que foi o genocídio nesse país da África, resultando na morte de 800 mil pessoas.

o filme conta a história de Paul Rusesabagina (brilhantemente interpretado pelo ator Don Cheadle), gerente do Hotel Des Milles Collines por ocasião do recrudescimento do ódio entre as duas etnias que dividem o povo ruandês: os hutus e os tutsis. O acirramento aumentou c0m a morte do presidente Habyarimana, fiador de um acordo de paz entre as etnias. O líder, da tribo hutu, foi morto por membros do seu próprio partido, que não tardaram em culpar os tutsis e iniciar o maior massacre da história contemporânea.

Paul, um hutu, era casado com a tutsi Tatiana (Sophie Okonedo) e usou todas as suas influências com pessoas ligadas ao governo, guerrilha e militares para salvar a vida de sua família. Como manda-chuva do luxuoso hotel, "um oásis no deserto", ele faz mais do que isso. Salvou 1268 pessoas, refugiados, órfãos, feridos que conseguiram chegar ao hotel e por algum detalhe divino escaparam do triste destino de virarem meras estatísticas na lista de assassinados. Para proteger o local e os "hóspedes", Paul subornou com dinheiro, bebidas, charutos e o que mais tinha à mão e, quando o material acabou, apelou à vaidade alheia e à influência do dono belga (Jean Reno) da rede hoteleira, que tinha ligações próximas com primeiros-ministros e generais.

O filme se desenvolve em uma narrativa simples, quase didática, como se o diretor Terry George sentisse a necessidade de que todos entendessem o que aconteceu naquele país. A postura de Paul deixa uma extraordinária lição sobre como se comportar em momentos de crise intensa, como desenvolver uma negociação em situações extremas, e uma sensivel demonstração de vontade em salvar vidas sem nenhum valor em uma terra dilacerada.

O mais interessante é que o verdadeiro Paul Rusesabagina (na foto acima, à esquerda, ao lado do ator Don Cheadle) estudou durante 12 anos em um colégio adventista do seu país, e formou-se em Teologia em Camarões, como você pode conferir nessa apresentação em powerpoint. Conhecer a história desse líder ajuda a entender a postura de movimentos cristãos no episódio.

O presidente mundial da Igreja Adventista, pastor Jan Paulsen, chegou a pronunciar-se algumas vezes sobre essa responsabilidade. No ano passado, ao visitar o Centro Memorial Kigali, que contém os remanescentes de 250.000 vítimas do genocídio, Paulsen depositou um coroa de flores no lugar e declarou que a Igreja Adventista "não pode se esquecer do penoso passado, mas devemos perdoar e marchar avante. Num sentido, nós todos falhamos quanto a Ruanda 11 anos atrás, a Igreja e o mundo, mas precisamos garantir que tais tragédias nunca mais aconteçam".

Lição de casa

Que relação existe entre a globalização e o desenvolvimento do terrorismo religioso? De que modo efetivamente um mundo globalizado pode influenciar a expansão do Cristianismo? Qual a mensagem que essa aldeia global pode passar para este modesto escriba que assiste, despretensiosamente, a transmissão de Santos x São Paulo nas últimas rodadas do Campeonato Paulista?

Respostas aqui. E aqui. E aqui também, o que provocará futuros posts.

Sangue do bem


Ainda estou sob o impacto do cansaço devido ao lançamento do Projeto Mais Vida. Fui ao Hemocentro de Pernambuco, em Recife, ajudar na coordenação da comunicação. Foi um sucesso absoluto. Dados do próprio Hemope apontavam para mais de 300 doações. Em condições normais, a entidade consegue 80 doações aos sábados.

Os funcionários do Hemope aceitaram interromper uma greve de três semanas para trabalhar no lançamento do projeto em Pernambuco. Eles estavam visivelmente emocionados pela experiência. Durante todo o dia, corais, cantores e grupos religiosos passavam a mensagem de solidariedade através da música.

A divulgação está sendo satisfatória. Conseguimos espaços publicitários gratuitos na TV Futura, TV Universitária e Jornal do Commercio. No sábado, durante o NE TV 1a. Edição, um dos principais telejornais da Globo no Estado, uma equipe transmitiu ao vivo, durante todo o programa, a festa de lançamento. À noite, houve uma ação de "marketing de guerrilha", quando mais de 30 jovens, devidamente uniformizados com a camiseta da campanha, passearam pelo Shopping Recife, pararam em vitrines, entraram em lojas e lancharam na Praça de Alimentação. A ação, idéia do publicitário Isaías Carvalho, foi extraordinária.

Foi só o começo. Muitas ações ainda vão ocorrer durante o período da campanha, até 16 de abril. Esse blog vai divulgar e fazer o link com os conteúdos afins.

Desde já, vale agradecer a empresas como o Sistema Jornal do Commercio e Cultura Inglesa pelo apoio ao projeto.

Reality Show de mim mesmo

Ao ler uma reportagem sobre o uso de blogs como ferramenta pedagógica, tive acesso a dados que mostram a força da blogosfera.

O total de blogs no mundo é de 15,5 milhões. A cada segundo, um blog é criado. Nos EUA, 30% da população online visitam blogs. Os mais acessados são os diários com com conteúdo político, estilo de vida, tecnologia e escritos por mulheres.

Sou um consumidor entusiasmado de blogs. Esse sentimento aumentou depois que conheci a valorosa história de uma iraquiana, e de como o seu blog fez diferença num país em guerra.

Essa crença me levou a um desafio pessoal: produzir um tipo de metajornalismo, com o propósito de contribuir para uma discussão sobre assuntos que nem sempre chamam a atenção da grande imprensa.